Rússia proíbe WhatsApp e enfrenta crise com colapso do Telegram no front
Governo russo intensifica bloqueios a aplicativos de mensagens estrangeiros, gerando descontentamento interno.
O governo da Rússia lançou uma ofensiva abrangente contra aplicativos de mensagens estrangeiros, resultando no bloqueio total do WhatsApp e na redução significativa da velocidade do Telegram em todo o território nacional. Essa estratégia visa forçar os cidadãos a migrarem para o Max, um aplicativo estatal que se inspira no WeChat da China.
A lentidão do Telegram, que conta com aproximadamente 60 milhões de usuários na Rússia, tem sido considerada um grande obstáculo logístico para as tropas que atuam na Ucrânia. Diante da falta de acesso ao Starlink e de problemas frequentes com rádios, os militares dependem do aplicativo de Pavel Durov para coordenar operações, organizar logística e até arrecadar fundos para suprimentos bélicos. Soldados têm alertado que o Telegram é a única conexão entre as unidades e as agências governamentais, enfatizando que a interrupção nas comunicações pode resultar em perdas de vidas no front.
A Roskomnadzor, autoridade reguladora de comunicações na Rússia, defende as restrições sob a justificativa de que as plataformas violam leis locais sobre o armazenamento de dados. O WhatsApp, por sua vez, denunciou a tentativa de Moscou de isolar 100 milhões de usuários para facilitar a vigilância através do aplicativo estatal Max. O fundador do Telegram comparou as ações do governo russo às políticas de controle de informação do Irã.
O governo russo impõe que o Max seja pré-instalado em todos os novos smartphones, mas o receio de vigilância em massa limita sua aceitação entre a população, que ainda prefere o WhatsApp. Essa resistência interna demonstra a insatisfação com as tentativas de controle digital.
Apesar da pressão exercida pela Rússia para que a Meta, empresa controladora do WhatsApp, colabore com as autoridades locais, a companhia deixou claro que não cederá às exigências. Essa postura reforça o plano do governo russo de estabelecer uma internet soberana, isolada do restante do mundo.
