Safra da uva 2026 impulsiona economia da Serra Gaúcha e aquece vendas em Caxias do Sul
Produção acima da média, qualidade elevada e forte presença da fruta no comércio local ampliam protagonismo do setor no RS
A safra 2025/2026 da uva na Serra Gaúcha começa com boas perspectivas de produtividade e qualidade, renovando expectativas positivas para produtores, cooperativas e comerciantes. O ciclo atual deve superar a média histórica do estado, com estimativas de até 905 mil toneladas de uvas produzidas no Rio Grande do Sul, consolidando a região como principal polo da vitivinicultura brasileira.
Qualidade da safra e perfil produtivo
Segundo técnicos da Emater/RS-Ascar, a colheita teve início oficialmente na região administrativa de Caxias do Sul, em um contexto de teores de açúcar e sanidade das frutas dentro dos padrões ideais — fatores essenciais tanto para o mercado de consumo in natura como para a indústria de vinhos, espumantes e sucos. (Portal do
As condições climáticas ao longo do ciclo vegetativo — incluindo um inverno com horas de frio adequadas — favoreceram emissão uniforme de brotos e formação de cachos, o que deve se refletir em produtividade e qualidade.
Dentre as variedades de mesa mais procuradas no mercado estão Itália, Rubi, Benitaka, BRS Clara e BRS Vitória, que têm apresentado excelente padrão visual e sabor, motivando consumidores e puxando a demanda local.
Venda direta nas praças de Caxias do Sul
Em Caxias do Sul, a safra também se traduz em oferta direta à população. Produtores rurais já iniciaram a venda de uvas em praças públicas da cidade, com bancas abertas oferecendo variedades como Isabel, Niágara branca e rosada, Itália e Benitaka. Essas vendas fazem parte de uma tradição que aproxima o consumidor do fruto recém-colhido e proporciona preços competitivos e variedade de opções.
Os pontos de comercialização funcionam em locais como as praças Dante Alighieri, João Pessoa e Dante Marcucci (Bandeira), com atendimento ao público entre manhã e tarde, ampliando o acesso da população aos produtos frescos e de origem local.
Impacto econômico e social no RS
O Rio Grande do Sul responde por cerca de 90% da produção nacional de uvas e concentra uma cadeia produtiva que envolve aproximadamente 15 mil famílias de agricultores familiares e milhares de postos de trabalho indiretos, especialmente no segmento vitivinícola. (SAGPPSI)
Com cerca de 42,4 mil hectares de parreirais, dos quais mais de 36 mil estão na Serra Gaúcha, o estado mantém seu papel de destaque no abastecimento interno e também na oferta de matéria-prima para indústrias de vinho, espumante, suco e derivados. (SAGPPSI)
A safra 2025/2026 pode apresentar um crescimento de 5% a 10% em relação a uma safra considerada normal, confirmando o potencial de expansão do segmento e seu impacto na economia local e estadual.
Desafios e perspectivas do setor
Embora o início da colheita esteja sendo marcado por resultados promissores, especialistas alertam que fatores climáticos — como chuvas pontuais — e a necessidade de manejo fitossanitário contínuo permanecem desafios importantes durante o restante do ciclo.
Além disso, o setor de frutas de mesa e de vitivinicultura busca continuamente ampliar canais de comercialização e valorizar a cadeia produtiva local. A venda direta ao consumidor nas praças, aliada à presença em feiras agropecuárias e ao fortalecimento de cooperativas, representa alternativas estratégicas para agregar valor ao produto e aumentar a renda do agricultor familiar.
Foto: Divulgação/portal do Agronegócio
