Sistema inovador com potes de barro auxilia agricultores do Pará a enfrentar a seca

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Irrigação com pote de barro transforma a agricultura no Pará

No sudeste do Pará, uma solução inovadora está transformando a vida de agricultores familiares que enfrentam longos períodos de seca. O método, conhecido como Irrigapote, utiliza potes de argila enterrados para fornecer água às plantas, garantindo colheitas mesmo em condições adversas.

Este sistema não requer energia elétrica e é de baixo custo, o que o torna uma opção viável para pequenos produtores. A técnica foi inspirada em práticas desenvolvidas na Etiópia e adaptada para a realidade brasileira, com a colaboração de pesquisadores locais.

O renascimento de uma propriedade

Um exemplo notável dessa transformação é a produtora Renata, de Tucuruí. Após deixar um emprego estressante em supermercados, ela enfrentou dificuldades em sua nova jornada no campo, perdendo mais de mil plantas devido à falta de água. A implementação do Irrigapote foi a chave para reverter essa situação.

Graças a uma parceria entre especialistas, a técnica foi introduzida na região, oferecendo uma solução prática para os desafios da estiagem.

Como funciona o sistema

O Irrigapote opera com base em princípios simples de física e biologia:

  • Captação: A água da chuva é coletada por calhas nos telhados e armazenada em reservatórios;
  • Distribuição: A água é direcionada para potes de argila enterrados próximos às plantas por meio de mangueiras e um sistema de boias que evita desperdício;
  • Irrigação inteligente: As paredes porosas dos potes liberam a umidade gradualmente, permitindo que as raízes das plantas a absorvam diretamente.

Esse sistema é altamente eficiente, com um único pote capaz de abastecer várias plantas, e as raízes podem se estender até 7 metros em busca de água.

Alternativa mais barata para o produtor

Para pequenos agricultores, o Irrigapote aborda dois problemas críticos: o custo elevado e a dependência de energia elétrica. Em contraste com os sistemas tradicionais de irrigação, que exigem investimentos significativos e eletricidade, a irrigação com potes de argila é mais acessível. A instalação de 100 potes tem um custo médio de R$ 8 mil, sendo a maior parte do investimento destinada à compra do material.

Em Capitão Poço, produtores de limão Taiti já estão colhendo os frutos financeiros dessa inovação. O produtor João destaca que o sistema permite a produção durante a entressafra, período em que o preço da fruta pode dobrar, alcançando até R$ 100.

Interesse de novas comunidades

O sucesso do Irrigapote também despertou o interesse de comunidades indígenas e quilombolas, como a Aldeia Trocará. Nesses locais, a técnica se apresenta como uma alternativa prática para garantir segurança alimentar e possibilitar o cultivo de culturas perenes, como cacau e açaí.

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