Soja registra alta no Brasil e em Chicago após declaração de Trump sobre compras chinesas
Movimentação positiva no mercado de soja é impulsionada por declarações de Trump sobre China.
A semana foi marcada por intensa movimentação no mercado de soja, com uma melhora nas cotações futuras na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT) e desdobramentos favoráveis no mercado brasileiro. Esse movimento foi impulsionado por declarações do presidente dos Estados Unidos, que mencionou avanços nas negociações com a China envolvendo potenciais compras adicionais de soja americana.
Segundo informações, a China poderia adquirir até 20 milhões de toneladas da safra atual dos Estados Unidos. Até o momento, cerca de 12 milhões de toneladas já foram cumpridas dentro dos acordos anteriores, o que sugere a possibilidade de um incremento adicional de aproximadamente 8 milhões de toneladas no curto prazo. O presidente também destacou a expectativa de compras próximas de 25 milhões de toneladas da nova safra, que será disponibilizada entre setembro e outubro.
Um analista do setor indicou que uma confirmação dessas compras adicionais teria um impacto significativo nos estoques norte-americanos da safra 2025/26, atualmente considerados confortáveis e próximos de níveis historicamente elevados, estimados em cerca de 9,5%.
No entanto, o analista também levantou questionamentos sobre a viabilidade econômica dessas aquisições. A soja americana está significativamente mais cara do que a brasileira, especialmente em um momento de colheita avançada no Brasil, o que reduz a competitividade do produto dos Estados Unidos no mercado internacional.
Se a compra de soja americana se concretizar, as exportações brasileiras poderão ser afetadas, principalmente por meio de prêmios nos portos, enquanto a CBOT poderia ganhar impulso. Contudo, dadas as margens atuais de esmagamento na China e a discrepância de preços entre a soja brasileira e a norte-americana, não existe um racional econômico para que a China concentre suas compras nesse volume de soja dos EUA, a menos que haja algum tipo de apoio governamental.
Mercado doméstico
No Brasil, a semana foi mais positiva, com registros de negócios nos portos de Paranaguá e Santos, especialmente entre produtores com soja disponível para entrega imediata. A segunda metade da semana foi marcada por transações efetivas e um aumento nas cotações, criando um cenário mais favorável para a comercialização.
Embora os preços ainda não sejam considerados ideais pelos produtores, as recentes altas em Chicago resultaram em uma valorização média de cerca de três reais por saca ao longo da semana, contribuindo para a realização de negócios.
Preços de soja no fim da semana
- Passo Fundo (RS): R$ 125,00
- Cascavel (PR): R$ 118,50
- Rondonópolis (MT): R$ 109,00
- Paranaguá (PR): R$ 128,50
- Rio Grande (RS): R$ 128,00
USDA no radar
O mercado observa com atenção o relatório de fevereiro do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que será divulgado na próxima terça-feira. A expectativa é de um leve corte nos estoques finais de soja norte-americana da safra 2025/26.
Analistas projetam uma redução do carryover dos Estados Unidos de 350 milhões para 348 milhões de bushels. No cenário global, os estoques finais de soja devem ficar em torno de 125,5 milhões de toneladas, acima do número indicado anteriormente.
Para a América do Sul, espera-se que o USDA eleve marginalmente a estimativa de produção brasileira, passando de 178 milhões para cerca de 179 milhões de toneladas. Em contrapartida, a safra argentina pode sofrer um pequeno ajuste negativo devido a condições climáticas menos favoráveis em algumas regiões produtoras.
