Sony e Panasonic abandonam fabricação de televisores fora da China, marcando o fim do “Made in Japan”

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O selo “Made in Japan” está perdendo espaço nas televisões devido à ascensão da produção chinesa.

O icônico selo “Made in Japan”, que por muito tempo simbolizou qualidade e inovação, está se tornando cada vez mais raro nas televisões modernas. A Sony foi uma das pioneiras a se afastar desse padrão, e agora a Panasonic segue o mesmo caminho, sucumbindo à competitividade chinesa.

As recentes mudanças no setor indicam uma transformação significativa. A produção e o design estão se tornando menos lucrativos, levando muitas marcas a se questionarem sobre a viabilidade de manter a fabricação internamente. Nesse cenário, a China se destaca com sua imensa capacidade produtiva, oferecendo preços que outros países não conseguem igualar.

Marcas japonesas renomadas, sob pressão dos altos custos de produção e de uma intensa guerra de preços, estão abrindo mão de parte de suas operações. Panasonic e Sony são as mais recentes a adotar essa estratégia, sinalizando uma nova era para a indústria de eletrônicos.

Uma transição já vista em outros setores

A tendência observada nas Smart TVs reflete um padrão que já se manifestou em outros produtos, como celulares e veículos elétricos. A força industrial da China, impulsionada por economias de escala, está moldando o futuro do mercado de TVs, tornando a fabricação fora do país asiático uma opção inviável. Sony e Panasonic estão entre as últimas a se adaptar a essa nova realidade.

O recente acordo da Panasonic com a fabricante chinesa Skyworth marca um ponto de virada. A empresa, reconhecida por sua inovação em tecnologia de imagem, agora delegará o desenvolvimento e a produção de uma parte significativa de sua linha de televisores à Skyworth, incluindo modelos com tecnologia OLED.

A busca pela lucratividade

Embora não existam dados oficiais, a tendência de terceirizar a produção para a China parece ser a única alternativa viável para que a Panasonic mantenha sua divisão de consumo sem enfrentar prejuízos insustentáveis.

A Sony também está seguindo um caminho similar, transferindo a fabricação de suas TVs para a chinesa TCL, que agora detém 51% do controle. Isso efetivamente retira a Sony do setor de fabricação direta, permitindo que a marca mantenha sua reputação e tecnologia enquanto os painéis são montados por sua parceira chinesa.

Essas decisões marcam o fim de uma era para os fabricantes japoneses de TVs, que enfrentam uma longa lista de saídas do mercado, incluindo nomes como Toshiba, Hitachi, Pioneer e Mitsubishi, que já se afastaram ou venderam seus direitos de marca.

O domínio chinês em números

A presença das marcas chinesas no mercado é inegável, com dados recentes mostrando uma transformação radical no setor. A TCL, por exemplo, alcançou 16% do mercado global, aproximando-se da líder Samsung, que viu sua participação cair de 18% para 17%. A TCL também superou a Samsung em volume de remessas em um mês recente. A Hisense, por sua vez, tomou a posição da LG em termos de volume de unidades vendidas.

Com a crescente presença das marcas chinesas nas lojas, a influência dos fabricantes japoneses se tornou marginal. A Sony, que já foi uma líder incontestável, agora ocupa uma posição em torno da décima colocação no ranking global, com uma participação de apenas 1,9% do mercado.

A China lidera onde outros falham

O que impulsiona essa mudança drástica é uma guerra de preços que se torna possível devido ao controle total da cadeia de suprimentos. Fabricantes como a TCL, que possui uma das maiores produtoras de painéis do mundo, conseguem oferecer TVs de grande formato com tecnologias avançadas a preços que desafiam o mercado.

Para os consumidores, a diferença de preço se torna um fator decisivo: a maioria opta por pagar menos por produtos que oferecem praticamente as mesmas funcionalidades. As marcas japonesas agora se restringem a um nicho de mercado, atendendo a puristas e entusiastas dispostos a pagar mais.

No Japão, a resposta foi clara: em vez de manter fábricas que não conseguem competir em preço, as empresas optaram por se aliar ao seu maior concorrente. A questão que resta é: por quanto tempo essa estratégia será sustentável?

Com a transferência de suas linhas de produção para a Skyworth e a TCL, a Panasonic e a Sony aceitaram a dura realidade da indústria: o futuro das televisões,

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