Tarifas dos EUA favorecem China na disputa econômica dos tokens de IA
Modelos de IA chineses superam os estadunidenses em uso na plataforma OpenRouter.
No último mês, os modelos de inteligência artificial (IA) desenvolvidos na China começaram a dominar a utilização na plataforma OpenRouter, que é projetada para detectar tendências no setor. Apesar das tentativas dos Estados Unidos de limitar a competição da China nesse mercado, o país asiático encontrou uma estratégia eficaz: a “exportação de tokens”.
A guerra comercial iniciada pelos EUA, acompanhada de tarifas agressivas, parece ter encerrado a era da globalização. No entanto, a China conseguiu contornar esses desafios ao oferecer soluções de IA que podem ser utilizadas globalmente, sem serem impactadas por embargos. Embora esses modelos chineses possam não ter o mesmo nível de desempenho que os americanos, seu custo reduzido os torna atrativos para desenvolvedores em diversas partes do mundo.
Exportação de tokens
O conceito de “exportação de tokens” refere-se ao uso de tokens de modelos de IA como a unidade de consumo, similar ao uso de quilowatts em energia. Os modelos chineses têm se destacado nesse aspecto, oferecendo tokens a preços muito competitivos, adequados para uma variedade de tarefas.
Modelos como MiniMax M2.5, Step 3.5 Flash e DeepSeek V3.2 têm mostrado um desempenho superior em comparação a modelos como Gemini 3 Flash Preview e Claude Opus 4.6 na plataforma OpenRouter. Isso se deve à capacidade de desenvolvedores de acessar esses modelos sem a preocupação com tarifas que afetam outros produtos, como celulares e automóveis.
Um modelo premium americano, como Claude Opus 4.6, tem um custo de 5 dólares por milhão de tokens de entrada, enquanto o MiniMax M2.5 da China custa apenas 0,25 dólar. O Step 3.5 Flash, igualmente popular, apresenta um preço ainda mais baixo, de apenas 0,10 dólar por milhão de tokens, tornando-se 50 vezes mais barato.
A diferença de preços é significativa, especialmente com o surgimento de agentes de IA, como o OpenClaw, que demonstram a capacidade de realizar tarefas complexas. Esses sistemas demandam uma grande quantidade de tokens, e a escolha de modelos mais econômicos pode resultar em soluções viáveis para tarefas simples.
Recentemente, a ascensão do OpenClaw e de plataformas similares levou empresas como Anthropic e Google a reagirem, uma vez que não veem com bons olhos o uso de seus modelos em planos de assinatura para esses agentes. Isso levou muitos usuários a optarem por modelos de IA chineses, que se apresentam como alternativas acessíveis e descomplicadas.
Por que os tokens chineses são tão baratos
Vários fatores contribuem para o baixo custo dos modelos de IA na China. Um deles é o preço da energia, que é consideravelmente mais baixo em comparação aos Estados Unidos. Além disso, a eficiência arquitetônica dos modelos chineses, como demonstrado pela DeepSeek, permite que alcancem resultados significativos utilizando técnicas inovadoras, como Mixture of Experts (MoE), que ativam apenas os especialistas necessários para cada tarefa.
As restrições dos EUA à exportação de chips avançados também podem ter impulsionado a competitividade dos modelos chineses. Sem acesso aos chips mais sofisticados, as empresas da China foram forçadas a maximizar a eficiência de seus modelos, tornando-os mais competitivos na prática da inferência de IA, onde a verdadeira batalha econômica está ocorrendo.
Embora a “exportação de tokens” ofereça vantagens à China, desafios significativos permanecem. A soberania dos dados é uma preocupação crítica, pois enviar informações sensíveis para centros de dados na China é problemático para muitas empresas e governos. Além disso, a latência é um fator que pode impactar a resposta dos modelos de IA devido às grandes distâncias que os dados precisam percorrer. O futuro das relações entre os modelos de IA chineses e o mercado global pode depender de como Washington reagirá a essa crescente competição.
