Toffoli diz que recebeu dinheiro por ser sócio de empresa que vendeu resort a fundo ligado a Vorcaro
Magistrado do STF afirma que repasses foram lícitos e decorrentes de participação societária após venda de participação no resort Tayayá
O ministro José Antonio Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou a interlocutores que **recebeu dinheiro decorrente da venda de participação societária em uma empresa familiar que vendeu um resort a um fundo de investimentos ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro. A declaração foi revelada pela coluna de Mônica Bergamo na Folha de S.Paulo e confirmada por diferentes veículos de imprensa nesta quarta-feira (11/02/2026).
Segundo Toffoli, ele é sócio da empresa Maridt, que controlava 33% do resort Tayayá, empreendimento localizado no interior do Paraná, junto com familiares. A participação foi vendida em 2021 para um fundo ligado ao empresário Vorcaro, e os recursos que lhe foram atribuídos, segundo o ministro, tiveram origem nessa transação societária legítima.
O magistrado ressaltou que o nome dele não aparece nos registros públicos da empresa porque a Maridt é uma sociedade anônima de livro, na qual os acionistas não estão expostos em documentos públicos — apenas dois dos seus irmãos constam nos registros oficiais como administradores.
Justificativa e legalidade
Toffoli defende que todas as transferências de recursos feitas ao longo dos anos foram lícitas, declaradas à Receita Federal e rastreáveis, reforçando que os pagamentos foram referentes à sua participação societária. O ministro também mencionou que o fundo que adquiriu a participação da Maridt posteriormente vendeu seus ativos a terceiros, obtendo lucro, e destacou que o negócio foi considerado legal.
A exposição de Toffoli ocorre em meio a uma apuração da Polícia Federal (PF) sobre transferências de recursos relacionados a esse contexto empresarial, incluindo mensagens periciadas no celular de Vorcaro que fazem referência a pagamentos ao ministro — embora as autoridades ainda não tenham conclusões públicas sobre eventuais irregularidades.
Contexto investigativo e repercussões
A investigação da PF estaria examinando se o repasse de recursos à Toffoli partiu da empresa que participou da venda de sua participação no resort, em meio a um inquérito mais amplo que envolve negócios com o banqueiro Vorcaro e seus fundos de investimento. A relação entre familiares do ministro e estruturas empresariais associadas a fundos ligados ao ex-banqueiro tem sido observada por órgãos de segurança, embora a participação direta de Toffoli no resort não conste publicamente nos registros oficiais da companhia.
Até o momento, Toffoli tem defendido que não houve ilegalidade nas operações, e sua assessoria afirma que as transações foram declaradas e justificáveis como resultados de uma sociedade empresarial familiar legítima.
Contexto adicional: a ligação entre a família Toffoli e os fundos que compraram participação no resort Tayayá também foi alvo de reportagens anteriores, que apontaram a participação de um cunhado de Vorcaro como cotista desses fundos e relações societárias complexas envolvendo empresas familiares e investidores externos.
Foto: Ilustração/ STF
