Toffoli se declara suspeito e invoca ‘foro íntimo’ em julgamento sobre instalação da CPI do Master na Câmara
Toffoli se declara suspeito e CPI sobre fraudes do Banco Master enfrenta obstáculos.
O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, se declarou suspeito para analisar um pedido que solicita a instalação de uma CPI na Câmara dos Deputados para investigar supostas fraudes do Banco Master. A ação foi movida pelo deputado federal e ex-governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg, do PSB.
Em despacho assinado nesta quarta-feira, poucas horas após ser sorteado relator da ação, Toffoli alegou “motivos de foro íntimo” para se afastar do caso. Um novo sorteio será realizado para designar um novo responsável pelo julgamento do mandado de segurança.
Toffoli, que inicialmente era o relator do Caso Master no STF, decidiu deixar a relatoria após a revelação de que uma empresa vinculada à sua família vendeu parte de um resort a um fundo associado ao banco em 2021. A Polícia Federal havia solicitado ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, que afastasse Toffoli do caso. O processo foi posteriormente transferido para André Mendonça por meio de novo sorteio.
Rodrigo Rollemberg solicitou à Mesa Diretora da Câmara a instalação da CPI para investigar as fraudes relacionadas à compra do Banco Master pelo Banco de Brasília. No documento enviado ao STF, Rollemberg destacou que o pedido recebeu o apoio de mais de 200 parlamentares, cumprindo assim o requisito de um terço dos membros da Câmara para que a comissão seja constituída.
O deputado ressaltou que a “gravidade dos fatos a serem investigados pela CPI é de proporções alarmantes”, mas a criação da comissão enfrenta resistência do presidente da Casa, Hugo Motta, do Republicanos-PB.
Rollemberg alertou que a inércia prolongada na investigação de fraudes financeiras graves, como as envolvendo o Banco Master e o BRB, pode causar danos irreparáveis ao sistema financeiro e à confiança dos investidores, além de comprometer a imagem da fiscalização parlamentar. Ele enfatizou que a apuração tem relevância nacional, uma vez que o escândalo sugere ligações preocupantes entre o banco e integrantes dos Três Poderes.
