Tóquio mantém preços de imóveis baixos com estratégia de construção inovadora
Expansão do problema habitacional pode levar a soluções inovadoras.
Uma abordagem interessante para resolver problemas habitacionais é ampliar o escopo das questões envolvidas. O Japão se destaca como um exemplo global de uma democracia industrial avançada, apresentando uma oferta significativa de moradias acessíveis e sustentáveis.
A chave para o sucesso japonês reside em seu controle centralizado sobre o zoneamento e as normas de construção. Tóquio, por exemplo, constrói mais moradias em um único ano do que a Califórnia ou a Inglaterra, que possuem populações três a quatro vezes maiores. A construção contínua é a estratégia adotada para manter os aluguéis acessíveis a longo prazo.
O conceito de que o governo nacional pode resolver problemas complexos mais eficazmente do que as autoridades locais se aplica fortemente ao desafio habitacional. Abordar a questão de forma abrangente, em vez de fragmentada, pode ser a solução para a crise de habitação.
O Japão tem se mostrado excepcionalmente eficaz na construção de novas residências, ampliando sua vantagem nas últimas décadas. Países como Alemanha, Áustria e Suíça também apresentam bons resultados, enquanto a França tem intensificado seus esforços em áreas urbanas como Paris.
Em contrapartida, as nações anglo-saxônicas, como Estados Unidos, Reino Unido, Austrália, Canadá e Nova Zelândia, enfrentam desafios maiores devido a sistemas de licenciamento mais discricionários, resultando em habitação escassa e cara. Essa situação tem gerado uma crise habitacional significativa, especialmente nas grandes cidades.
O Japão exemplifica a eficácia de “amplificar” os problemas habitacionais. O controle nacional sobre o uso da terra e a construção permitiu que o país mantivesse um ritmo robusto de construção, mesmo quando outras nações diminuíram a oferta de novas moradias.
Nos últimos 50 anos, o Japão tem promovido mudanças administrativas em seus códigos de construção para aumentar a oferta habitacional. A flexibilização das regulamentações urbanas, em resposta a crises econômicas, tem sido um fator crucial para evitar a escassez de moradias.
Os resultados são notáveis, com Tóquio construindo 145 mil novas residências em 2018, mesmo em áreas já densamente povoadas. Essa capacidade de construção se mantém ao longo dos anos, superando a oferta de moradias em regiões como a Califórnia e a Inglaterra.
Desde o início do século XXI, o Japão aumentou a construção de moradias em 30%, mesmo com a população em declínio. Essa estratégia, que inclui a demolição de casas mais antigas, permite uma renovação constante do estoque habitacional, contribuindo para a oferta de novas construções.
A prefeitura de Tóquio tem aumentado seu estoque habitacional em cerca de 2% ao ano desde 2000, superando o crescimento de outras grandes cidades como Londres e Nova York. O Japão parece ter internalizado a lição de que, para resolver um problema, é necessário ampliá-lo e enfrentá-lo de maneira abrangente.
