Três engenheiros da mesma família são detidos nos EUA sob acusação de roubo de dados do Google para envio ao Irã
Engenheiros do Vale do Silício são presos por roubo de segredos comerciais do Google.
Três engenheiros do Vale do Silício foram detidos na última quinta-feira, acusados de roubar segredos comerciais do Google e de outras empresas de tecnologia para enviar ao Irã, conforme anunciou a procuradoria do Distrito Norte da Califórnia.
Além da acusação de roubo, os indivíduos também enfrentam acusações de obstrução da Justiça.
Os detidos são membros da mesma família: as irmãs Samaneh Ghandali, de 41 anos, e Soroor Ghandali, de 32 anos, junto com Mohammad Khosravi, de 40 anos, esposo de Samaneh.
Samaneh e Soroor Ghandali foram funcionárias do Google antes de se transferirem para uma terceira empresa de tecnologia, enquanto Khosravi trabalhou em uma companhia identificada como “Empresa 2”.
Os três devem comparecer ao tribunal novamente em 20 de fevereiro de 2026, onde será discutida a representação legal, sob a supervisão da juíza Susan van Keulen.
Caso sejam condenados, cada um pode enfrentar até 10 anos de prisão e uma multa de US$ 250 mil por cada acusação de conspiração para roubo de segredos comerciais. Para a obstrução de procedimentos oficiais, a pena máxima pode chegar a 20 anos de prisão e multa de US$ 250 mil.
Acusações detalhadas
De acordo com as alegações, os réus utilizaram suas posições para acessar informações confidenciais e sensíveis.
Além disso, teriam transferido documentos do Google e de outras empresas para locais não autorizados, incluindo dispositivos de trabalho de colegas e aparelhos pessoais, com o intuito de enviá-los ao Irã.
Os documentos continham segredos comerciais relacionados à segurança de processadores, criptografia e outras tecnologias relevantes.
A denúncia alega que, enquanto trabalhava no Google, Samaneh Ghandali transferiu centenas de arquivos para uma plataforma de comunicação de terceiros, utilizando canais que levavam os nomes dos acusados.
Soroor Ghandali também é acusada de transferir arquivos do Google para esses canais durante seu período de emprego na empresa.
Esses documentos foram posteriormente copiados para dispositivos pessoais e para os computadores de trabalho de Khosravi e Soroor em suas respectivas empresas.
Encobrimento das ações
As acusações indicam que os três tentaram encobrir suas ações ao fornecer declarações juramentadas falsas às empresas envolvidas, negando qualquer conduta relacionada aos segredos comerciais roubados.
Além disso, teriam destruído arquivos e registros eletrônicos, adotando métodos para evitar a detecção, como fotografar manualmente telas de computador com informações confidenciais, ao invés de transferir os arquivos digitalmente.
Em agosto de 2023, após atividades suspeitas de Samaneh serem detectadas, ela teve seu acesso aos recursos do Google revogado, mas ainda assim assinou uma declaração afirmando não ter compartilhado informações confidenciais.
Após isso, ela e Khosravi começaram a buscar informações sobre como excluir comunicações e dados, demonstrando uma tentativa deliberada de ocultar suas ações.
Na véspera de uma viagem ao Irã, Samaneh fez cerca de 24 fotografias da tela do computador de Khosravi, capturando informações sigilosas da “Empresa 2”.
Durante sua estadia no Irã, um dispositivo pessoal de Samaneh acessou essas imagens, enquanto Khosravi obteve outras informações confidenciais da empresa.
O procurador federal dos Estados Unidos destacou que os acusados exploraram suas posições para roubar segredos comerciais e que a proteção da inovação americana é uma prioridade para a Justiça.
O agente especial do FBI, responsável pelo caso, classificou as ações como uma traição à confiança e enfatizou a importância de proteger as inovações do Vale do Silício.
