Ucrânia identifica superpotência por trás dos drones kamikaze russos e descobre que são duas
A guerra na Ucrânia se transforma em um campo de inovação tecnológica com o uso crescente de drones.
Desde a invasão russa em 2022, a guerra na Ucrânia evoluiu para um cenário onde os drones se tornaram armas decisivas. Eles não apenas causam um número significativo de baixas, mas também moldam a dinâmica do conflito. A Ucrânia se questiona sobre a capacidade da Rússia em produzir e utilizar tantos drones eficazmente.
A frente de batalha se expande além das regiões de Donetsk e Kharkiv, alcançando os complexos industriais da China, onde componentes essenciais para drones são fabricados. Processadores, câmeras e motores são produzidos em locais como Guangdong e Shenzhen, fundamentais para o funcionamento e a precisão dos drones.
Essa dependência tecnológica é preocupante, pois tanto a Ucrânia quanto a Rússia compartilham a necessidade desses componentes. A situação se torna uma corrente subterrânea que sustenta o conflito, mesmo diante de sanções destinadas a limitar o acesso a esses recursos.
O Geran-5
A Ucrânia identificou um novo modelo de drone de ataque russo, o Geran-5. Diferente do modelo de “asa-delta” do Shahed iraniano, este drone possui um design mais convencional, similar ao Karrar iraniano, refletindo influências de projetos americanos antigos.
O Geran-5 é um jato mais potente, com velocidade estimada em até 600 km/h e um alcance de aproximadamente 900 km, além de uma carga bélica de 90 kg. A Rússia planeja utilizá-lo a partir de aeronaves Su-25, aumentando sua eficácia e complexidade, combinando capacidades de ataque com características de um drone de combate.
O Déjà Vú
Um aspecto controverso do Geran-5 é a presença de componentes estrangeiros encontrados em seus destroços, incluindo peças eletrônicas ocidentais e chinesas, muitas delas de fabricantes americanos e uma de origem alemã. Esses elementos são cruciais para a navegação e controle do drone, permitindo que ele funcione de forma confiável.
A Ucrânia argumenta que a Rússia está contornando as sanções por meio de mercados paralelos e cadeias de suprimentos obscuras. Essa situação revela que a guerra moderna não se resume apenas à produção de armamentos, mas também à aquisição de tecnologias avançadas que são vitais para a eficácia dos drones.
A China como epicentro
Empresários ucranianos estão em constante competição com compradores russos por componentes essenciais, com a China dominando a produção de drones comerciais e seus elementos-chave. A inovação se infiltra em ambos os lados, com a Ucrânia tentando adquirir atualizações tecnológicas que frequentemente acabam nas mãos da Rússia.
Assim, a guerra se transforma em uma corrida por componentes, onde a China se torna um ator central, influenciando a velocidade da evolução do conflito.
A cadeia de suprimentos
A China mantém uma fachada de neutralidade, afirmando não fornecer armas letais, mas a realidade é complexa. O sistema de fornecimento está repleto de intermediários e rotas obscuras, permitindo que tanto a Rússia quanto a Ucrânia acessem os mesmos componentes, apesar das sanções.
A Rússia, com mais recursos, pode garantir acesso prioritário a esses materiais, deixando a Ucrânia em uma posição de desvantagem e forçando-a a improvisar na linha de frente devido à escassez de peças.
Como burlar as restrições
As sanções têm um impacto, mas não interrompem o fluxo de componentes essenciais. O ecossistema de evasão inclui rotas indiretas e um mercado logístico especializado que continua operando, dado o alto incentivo econômico. As sanções criam obstáculos, mas não eliminam a continuidade do fornecimento de tecnologia necessária para a guerra.
Dependência ucraniana
A Ucrânia avançou na produção local, mas ainda depende fortemente da China para componentes básicos, com cerca de 85% dos drones FPV simples dependendo de tecnologia externa. Isso significa que, mesmo com montagem nacional, a infraestrutura tecnológica é vulnerável a decisões políticas e restrições comerciais.
A ironia é que, se a Ucrânia tentasse replicar o modelo russo de produção, suas fábricas poderiam se tornar alvos de ataques. A capacidade de manter a produção local está condicionada à proteção contra as ações do inimigo, que pode destruir infraestruturas críticas.
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