Um em cada quatro habitantes de Juiz de Fora reside em áreas de risco
Uma em cada quatro pessoas em Juiz de Fora vive em área de risco, alerta prefeita.
A prefeita de Juiz de Fora (MG), Margarida Salomão, destacou a grave situação da cidade, onde uma em cada quatro pessoas reside em áreas consideradas de risco. Ela enfatizou a necessidade urgente de intervenções em toda a região para prevenir futuras tragédias.
Deslizamentos e enchentes, provocados pelas intensas chuvas que atingem a Zona da Mata mineira desde a última segunda-feira, resultaram em 64 mortes, sendo 58 em Juiz de Fora e seis no município de Ubá.
Margarida Salomão comparou a situação da cidade a de outras localidades afetadas por desastres naturais, como Petrópolis e Angra dos Reis, ressaltando que a ocupação das encostas não é exclusiva de populações de baixa renda, mas também envolve classes média e alta.
Em uma entrevista ao programa Alô Alô Brasil, da Rádio Nacional, a prefeita mencionou um desmoronamento que ocorreu em uma mansão construída em uma encosta, resultando na morte de uma pessoa. Ela relatou as dificuldades que os moradores enfrentam para deixar essas áreas de risco.
“Convencer as pessoas a abandonarem suas casas é um desafio imenso, já que muitas delas representam a conquista de uma vida inteira. Esse processo exige paciência e uma abordagem cuidadosa para que as pessoas se sintam acolhidas e ouvidas,” afirmou a prefeita.
Neste sábado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitará a região afetada e se reunirá com lideranças locais na prefeitura de Juiz de Fora. Ele tem como objetivo oferecer apoio e recursos para a reconstrução da cidade e das áreas mais impactadas.
A Defesa Civil Nacional declarou estado de calamidade pública nos três municípios afetados, e o governo federal já disponibilizou mais de R$ 3 milhões para as operações de emergência e reconstrução. A partir desta sexta-feira, os moradores poderão solicitar o saque do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), com um limite de até R$ 6.220.
Atualmente, mais de 500 pessoas estão abrigadas em locais temporários, enquanto cerca de 5 mil estão desalojadas, muitos deles em residências de familiares. Aqueles que não puderem retornar para suas casas serão incluídos em um programa de moradia da prefeitura, que oferecerá aluguel social até que uma solução definitiva seja encontrada.
“Neste momento, nosso foco é na reparação e no atendimento emergencial, mas também estamos nos preparando para realizar as intervenções necessárias para garantir a segurança e a convivência na cidade,” concluiu a prefeita.
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) mantém um alerta para chuvas intensas na Zona da Mata, com previsão de precipitação entre 30 e 60 milímetros por hora e ventos fortes, aumentando o risco de alagamentos e interrupções no fornecimento de energia elétrica.