União Brasil filia Pablo Marçal, que enfrenta inelegibilidade; confira a situação dos processos contra ele
Empresário e influenciador Pablo Marçal se filia ao União Brasil em meio a processos judiciais.
O empresário e influenciador Pablo Marçal se filiou ao União Brasil nesta sexta-feira, 6. A filiação ocorre um ano e meio após sua candidatura à Prefeitura de São Paulo pelo PRTB, período em que enfrentou três condenações à inelegibilidade. Atualmente, ele conseguiu reverter uma dessas condenações, enquanto recorre das outras duas ainda pendentes.
Apesar dos desafios enfrentados no Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP), Marçal mantém a esperança de um recurso que lhe permita participar do pleito deste ano. Ele busca concorrer até que todos os processos sejam julgados em definitivo pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O União Brasil vê em Marçal uma oportunidade de atrair votos. A cerimônia de filiação do influenciador está marcada para esta noite, às 18h, na Vila Olímpia, em São Paulo. A estratégia do partido é lançá-lo como candidato a deputado federal, cargo que ele já disputou nas eleições de 2022, quando, embora tenha conquistado votos suficientes, teve seu registro de candidatura negado.
Interlocutores do partido acreditam que Marçal pode ser um forte puxador de votos, considerando sua popularidade nas redes sociais e sua base de seguidores. A defesa de Marçal foi procurada para comentar sobre os processos em andamento, mas não houve retorno.
Condenação por promessa de apoio político
Em fevereiro de 2025, Marçal foi condenado em uma ação movida pelo PSB e pela coligação do hoje ministro Guilherme Boulos, que disputou a Prefeitura de São Paulo em 2024. As partes alegaram que Marçal prometeu apoiar candidatos a vereador em troca de doações de R$ 5 mil para sua campanha.
No processo, Marçal argumentou que não houve crime, pois as doações foram devolvidas. No entanto, o juiz Antonio Patiño Zorz considerou que a proposta de Marçal, mesmo que de valor limitado, configurava crime, pois comprometia a legitimidade das eleições.
Marçal recorreu e obteve uma decisão favorável em segunda instância, onde o juiz Claudio Langroiva Pereira destacou que, embora houvesse uma conduta ilícita, não foi comprovado que isso influenciou o resultado do pleito.
As partes que moveram a ação recorreram da decisão, buscando levar o caso ao TSE, mas o processo ainda não foi encaminhado para a nova instância.
Concurso de cortes e outras condenações
Em abril de 2025, Marçal enfrentou nova condenação por promover um “concurso de cortes” entre seus seguidores, oferecendo compensações financeiras em troca de vídeos de apoio. O juiz Patiño Zorz considerou que essa prática proporcionou a Marçal uma vantagem indevida na eleição, caracterizando uma compra de apoio político.
Além disso, Marçal foi multado em R$ 420 mil por descumprir uma liminar que suspendia seus perfis nas redes sociais. Embora tenha recorrido, a inelegibilidade foi mantida, conforme a Lei da Ficha Limpa, que estabelece um período de oito anos para inelegibilidade após condenação por órgão colegiado.
Em julho de 2025, Marçal foi condenado novamente por abuso de poder econômico e captação ilícita de recursos, devido a ofensas feitas durante a campanha e sorteios de bonés e dinheiro em troca de divulgação.
Dois dias antes das eleições de 2024, ele divulgou um laudo médico falso atribuído a Boulos, resultando em um acordo que incluiu o pagamento de uma indenização e a proibição de frequentar determinados locais.
Marçal também enfrentou outras polêmicas, incluindo uma condenação por difamação eleitoral contra a deputada Tabata Amaral e um incidente com o apresentador José Luiz Datena, que culminou em um acordo entre as partes.
