União Europeia aprova acordo com Mercosul que criará a maior zona de livre comércio do mundo
Comissão Europeia aprova acordo comercial com o Mercosul, criando a maior zona de livre comércio do mundo.
Os países da União Europeia (UE) confirmaram a aprovação do acordo comercial com o Mercosul, que resultará na maior zona de livre comércio do planeta. A informação foi divulgada pelo Chipre, que atualmente preside o bloco europeu.
Representantes da UE informaram que uma ampla maioria dos Estados-membros apoiou o acordo de livre comércio com o bloco sul-americano. Os países tinham até as 17h, no horário de Bruxelas, para registrar seus votos por escrito.
- 🔍 O acordo prevê a redução ou eliminação gradual de tarifas de importação e exportação, além de estabelecer regras comuns para comércio de bens industriais e agrícolas, investimentos e padrões regulatórios.
Apesar do apoio de setores empresariais e industriais, o acordo enfrenta resistência significativa de agricultores europeus, especialmente na França.
Para o Brasil, a maior economia do Mercosul, o tratado amplia o acesso a um mercado de cerca de 451 milhões de consumidores, impactando não apenas o agronegócio, mas também diversos segmentos da indústria brasileira.
“Este acordo fortalece o multilateralismo e o comércio entre os dois blocos, promovendo investimentos e a sustentabilidade, pois o Brasil assume compromissos de combate às mudanças climáticas”, afirmou um representante do governo.
O acordo comercial acumula mais de 25 anos de negociações entre os blocos. A expectativa é que, mesmo com a oposição de países como a França, o Parlamento Europeu aprove o tratado.
A Comissão Europeia destaca que este é o maior acordo de livre comércio já firmado pelo bloco em termos de redução de tarifas, prevendo a eliminação de mais de 4 bilhões de euros em impostos sobre as exportações da UE anualmente.
- O Mercosul deve eliminar tarifas sobre cerca de 91% das exportações da UE ao longo de 15 anos;
- Enquanto isso, a UE retirará progressivamente as taxas sobre 92% das exportações do Mercosul.
Os blocos também concordaram em aumentar as cotas de produtos isentos no setor agrícola. Segundo a Comissão Europeia, o acordo deve oferecer uma alternativa à dependência da China, especialmente no fornecimento de minerais críticos, como o lítio, essencial para a produção de baterias.
Embora a maioria dos Estados-membros tenha se mostrado favorável, ainda há resistência de alguns países, que expressam preocupações sobre os impactos no setor agrícola.
Um diplomata da UE confirmou que 21 países apoiaram o acordo, enquanto Áustria, França, Hungria, Irlanda e Polônia votaram contra. A Bélgica se absteve. Para a aprovação, era necessário o apoio de pelo menos 15 países, representando 65% da população total do bloco.
O partido de extrema-esquerda França Insubmissa (LFI) e o partido de extrema-direita Reunião Nacional (RN) apresentaram moções contra o acordo, mas é improvável que consigam votos suficientes no Parlamento para derrubar o governo.
- 🔎 Para os produtores rurais franceses, o acordo é visto como uma ameaça, devido ao receio de concorrência com produtos latino-americanos mais baratos, que não atendem aos mesmos padrões ambientais exigidos pela UE.
Tanto a França quanto a Irlanda estão enfrentando protestos em razão do acordo.
A Itália, que anteriormente se opunha ao tratado, sinalizou apoio nesta semana, o que teve um peso decisivo nas negociações. A ratificação exige uma maioria qualificada no Conselho Europeu, com apoio de ao menos 65% da população do bloco.
A primeira-ministra italiana afirmou que o apoio da Itália estaria condicionado à consideração das preocupações do país, especialmente em relação ao setor agrícola.
- 👉 A Comissão Europeia propôs acelerar a liberação de 45 bilhões de euros para agricultores, uma iniciativa considerada um “passo positivo e significativo” pela primeira-ministra.
