União Europeia promete reduzir tarifas de fertilizantes para conquistar apoio do agronegócio ao acordo com Mercosul
Comissão Europeia busca apoio para acordo com Mercosul com redução de tarifas de fertilizantes.
A Comissão Europeia anunciou medidas para facilitar a assinatura do acordo com o Mercosul, incluindo a redução de tarifas de importação de fertilizantes e a proposta de suspensão temporária da taxa de carbono nas fronteiras da UE.
Essas concessões visam conquistar o apoio necessário de pelo menos 15 dos 27 países membros da União Europeia, com a expectativa de que o acordo possa ser assinado na próxima semana. A pressão vem principalmente de países como Alemanha e Espanha, que apoiam a iniciativa.
Produtores agrícolas europeus expressam preocupações quanto à entrada de produtos sul-americanos, como carne e açúcar, a preços competitivos, o que poderia afetar seus negócios. A situação é delicada, pois a balança comercial da agricultura na Europa já enfrenta desafios significativos.
Apesar da autorização da Comissão, o texto ainda precisa passar pela aprovação do Parlamento Europeu antes de entrar em vigor. O comissário europeu de Comércio, Maros Sefcovic, destacou a intenção de zerar tarifas padrão sobre a ureia e a amônia, que atualmente são de 6,5% e 5,5%, respectivamente.
Além disso, a Comissão está incentivando a aprovação de uma lei que permitirá isenções temporárias da taxa de carbono aplicada às importações, uma mudança que pode aliviar a pressão sobre os agricultores da UE.
A França e a Itália, que são grandes produtores agrícolas, já solicitaram a exclusão dos fertilizantes dessa taxa, refletindo a resistência de alguns países em relação ao acordo. O mecanismo de cobrança de CO₂, que entrou em vigor em 1º de janeiro, visa proteger a indústria europeia de concorrência desleal.
Os defensores do acordo com o Mercosul argumentam que ele é vital para expandir as exportações da Europa e reduzir a dependência de fornecedores como a China, especialmente em relação a minerais estratégicos.
Recentemente, comissários europeus de diversas áreas se reuniram com ministros para discutir formas de mitigar as preocupações dos agricultores, abordando temas como financiamento e revisão de regras de importação, incluindo limites para resíduos de pesticidas.
França e Itália barraram acordo em dezembro
Em dezembro, França e Itália, os maiores produtores agrícolas da UE, bloquearam a assinatura do acordo, exigindo garantias contra a entrada em grande escala de produtos do Mercosul. Essas nações estão preocupadas com o impacto que isso poderia ter em seus setores agrícolas.
Outros países, como Polônia e Hungria, também se opõem ao acordo, enquanto a França mantém uma postura crítica. A Irlanda, por outro lado, que é uma grande produtora de carne bovina, mostrou-se mais aberta ao texto, destacando a necessidade de salvaguardas contra aumentos repentinos nas importações.
O primeiro-ministro irlandês, Micheál Martin, mencionou que o país está em negociações com outros governos que compartilham preocupações semelhantes e enfatizou a importância de um diálogo contínuo sobre o assunto.
“Ainda há trabalho a ser feito antes das discussões entre os governos sobre este assunto… Temos preocupações com o Mercosul, mas muitos progressos foram feitos nos últimos 12 meses”, disse Martin a jornalistas durante uma viagem à China.
A ministra da Agricultura da França, Annie Genevard, reiterou a posição do país contra o acordo, defendendo uma análise mais aprofundada do impacto de múltiplos acordos comerciais sobre o setor agrícola europeu.
