Vacina de dose única contra a dengue é desenvolvida no Brasil e promete revolucionar a saúde pública
Brasil inicia vacinação pioneira contra dengue com imunizante 100% nacional.
O Ministério da Saúde lançou em janeiro de 2026 uma estratégia inovadora no combate à dengue, com a introdução da vacina Butantan-DV, desenvolvida integralmente no Brasil. Este imunizante se destaca por necessitar apenas de uma única dose para garantir proteção, sendo um marco no cenário global de vacinas contra a doença.
Para implementar a vacinação, o governo brasileiro optou por focar em “municípios-piloto”, escolhendo cidades com populações entre 100 mil e 200 mil habitantes que possuem redes de saúde bem estruturadas. O início da vacinação ocorreu em 17 de janeiro, nas cidades de Maranguape (CE) e Nova Lima (MG), com Botucatu (SP) se juntando à iniciativa no dia seguinte. Botucatu já tinha experiência em testes de vacinas, tendo participado de estudos anteriores relacionados à Covid-19.
O público-alvo inicial compreende pessoas de 15 a 59 anos. O principal objetivo dessa fase é avaliar como a vacina impacta a transmissão da dengue nas comunidades e coletar dados que servirão para uma possível ampliação da vacinação em todo o país.
Na segunda semana de fevereiro, o Ministério da Saúde começou a imunizar profissionais de saúde da Atenção Primária, incluindo médicos, enfermeiros e agentes comunitários, com a meta de proteger cerca de 1,2 milhão de trabalhadores que atuam na linha de frente do Sistema Único de Saúde (SUS).
No Rio de Janeiro, a vacinação teve início em 24 de fevereiro, priorizando também os trabalhadores da saúde da rede de Atenção Primária. A estratégia visa garantir que esses profissionais estejam protegidos enquanto atendem à população.
Os números
A vacina Butantan-DV é eficaz contra os quatro sorotipos do vírus da dengue. Os estudos clínicos demonstraram resultados promissores:
- 74% de eficácia global na prevenção da doença.
- 91% de redução na incidência de casos graves.
- 100% de proteção contra hospitalizações relacionadas à dengue.
O Instituto Butantan já produziu um lote inicial de 1,3 milhão de doses, das quais 204,1 mil foram distribuídas entre os três municípios do projeto piloto:
- Botucatu (SP): 80 mil doses.
- Nova Lima (MG): 64 mil doses.
- Maranguape (CE): 60,1 mil doses.
Para expandir a produção da vacina, o Instituto Butantan firmou uma parceria com a empresa chinesa Wuxi Vaccines, com a expectativa de aumentar a capacidade de produção em até 30 vezes.
O comparativo
Enquanto o Brasil avança com sua nova vacina, a versão de origem japonesa continua disponível no Sistema Único de Saúde (SUS). Essa estratégia estabelece um cenário de combate à dengue em duas frentes:
- A vacina Japonesa: Exige um esquema de duas doses e é voltada para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, estando disponível em mais de 5 mil municípios brasileiros.
- A vacina Butantan-DV: É de dose única e destina-se a adultos de 15 a 59 anos, conforme regulamentação da Anvisa.
O contexto para a introdução da nova vacina é otimista, especialmente após a queda significativa nos indicadores da dengue em 2025:
- Os casos prováveis de dengue caíram 74%, de 6,5 milhões em 2024 para 1,7 milhão em 2025.
- O número de óbitos também teve uma redução de 72%, totalizando 1,7 mil mortes em 2025, comparado a 6,3 mil no ano anterior.
Apesar dos avanços e da introdução das vacinas, o Ministério da Saúde reitera que a eliminação dos criadouros do mosquito Aedes aegypti continua sendo a principal estratégia de combate à dengue. A vacina é uma ferramenta inovadora que complementa as ações de controle vetorial, mas não substitui a necessidade de medidas preventivas.
