Vendas de soja em segundo plano com mercado estagnado apesar da alta em Chicago

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Mercado brasileiro de soja enfrenta vendas lentas enquanto colheita avança.

O mercado brasileiro de soja apresentou um panorama de vendas lentas em fevereiro, com preços predominantemente estáveis ou em baixa em várias regiões. Apesar do aumento nos contratos futuros na Bolsa de Chicago, o efeito no mercado interno foi contrabalançado por prêmios reduzidos e pela volatilidade cambial.

Com a colheita avançando em diversas localidades, os produtores optaram por postergar as vendas, aguardando condições mais favoráveis. Mesmo diante de desafios climáticos pontuais, o Brasil se dirige para uma safra recorde, o que mantém uma pressão sobre as cotações mundiais.

Cenário internacional

A Bolsa de Chicago registrou um desempenho positivo ao longo do mês, impulsionada por expectativas otimistas sobre a demanda. No cenário interno, o mercado observa a probabilidade de o governo americano, sob a administração de Donald Trump, confirmar incentivos ao setor de biodiesel, o que poderia aumentar a demanda pela soja.

Além disso, o crescimento dos preços em Chicago também está relacionado a especulações sobre um possível acordo comercial entre China e Estados Unidos. A expectativa é que, após um encontro entre Donald Trump e Xi Jinping, novas metas comerciais relacionadas à soja possam ser definidas.

Para a próxima safra nos Estados Unidos, as previsões iniciais indicam uma expansão na área plantada de soja em detrimento do milho, conforme sinalizado pelo Departamento de Agricultura americano durante seu Fórum Anual. A primeira projeção oficial de plantio será divulgada em 31 de março.

Safra recorde, com ajustes regionais

A produção brasileira de soja para a safra 2025/26 é estimada em 177,72 milhões de toneladas, um aumento de 3,4% em relação às 171,84 milhões de toneladas do ciclo anterior. Este número representa uma leve correção para baixo em comparação à projeção anterior de 179,28 milhões de toneladas.

O aumento da área plantada deve ser de 1,5%, totalizando 48,33 milhões de hectares, em comparação aos 47,64 milhões do ciclo anterior. A produtividade média nacional também deve subir, passando de 3.625 quilos por hectare para 3.696 quilos.

Conforme destacado por analistas, a safra brasileira permanece em níveis recordes, apesar de ajustes pontuais na produtividade, especialmente no Rio Grande do Sul, em função de estresses climáticos.

No Rio Grande do Sul, a produção foi revisada, passando de um potencial estimado entre 22 milhões e 23 milhões de toneladas para cerca de 20,9 milhões, com possibilidade de novos ajustes. A produtividade média estimada é de 51 sacas por hectare.

No Centro-Oeste, ajustes foram feitos para Mato Grosso, que agora projeta uma produção de 49,27 milhões de toneladas, com uma produtividade média de 64,33 sacas por hectare, afetada pelo excesso de chuvas.

Em Minas Gerais e São Paulo, as perspectivas permanecem otimistas, com chance de revisões positivas. No Nordeste, especialmente na região do Matopiba, as condições climáticas têm favorecido o desenvolvimento das lavouras.

Oferta e demanda indicam alta nos estoques

As exportações brasileiras de soja devem alcançar 105 milhões de toneladas em 2026, o que representa uma queda de 3% em relação às 108,2 milhões embarcadas em 2025. Essa projeção se mantém inalterada em relação ao relatório anterior.

O esmagamento de soja está previsto para 60 milhões de toneladas em 2026, acima das 58,5 milhões estimadas para 2025. As importações devem totalizar 200 mil toneladas em 2026, em comparação com 969 mil toneladas previstas para 2025.

Consequentemente, a oferta total de soja em 2026 deve crescer 5%, alcançando 182,43 milhões de toneladas. A demanda total tem uma previsão de 168,42 milhões de toneladas, apresentando uma queda de 1% em relação ao ano anterior. Nesse contexto, os estoques finais devem aumentar de 4,51 milhões para 14,01 milhões de toneladas, representando

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