Vereador Hiago Morandi faz discurso duro e acusa governo municipal de perseguição política em Caxias do Sul
Pronunciamento na reabertura do ano legislativo eleva o tom contra a gestão municipal após exoneração de conselheiro tutelar, pai do parlamentar
Na retomada das sessões ordinárias da Câmara de Vereadores de Caxias do Sul, nesta terça-feira (03), o vereador Hiago Morandi (PL) protagonizou um dos discursos mais contundentes do início da legislatura ao atacar duramente o governo municipal, o prefeito e a Procuradoria-Geral do Município (PGM). O pronunciamento ocorreu durante declaração de líder de bancada e teve como pano de fundo a exoneração de um conselheiro tutelar, pai do parlamentar, fato que Morandi classificou como perseguição política.
Logo no início da fala, Morandi afirmou que esperava iniciar o ano legislativo em debates ideológicos com outros vereadores, mas disse ter sido forçado a direcionar suas críticas ao Executivo municipal. Em tom exaltado, classificou o governo como “ineficiente” e afirmou que se trata de uma das piores gestões do país.
“É um governo tão tosco, tão ineficiente, tão ruim, que eu tenho que vir aqui falar do prefeito”, declarou da tribuna.
Exoneração de conselheiro tutelar gera reação
O vereador confirmou publicamente que o conselheiro tutelar exonerado é seu pai, ressaltando que ele havia sido eleito democraticamente, com votação expressiva. Segundo Morandi, a exoneração não teria impacto financeiro ou político pessoal, mas representaria um prejuízo direto à população.
“Quem vai perder é a população. O salário é o de menos. Mas eu venho aqui expor a hipocrisia desse governo”, afirmou.
Morandi sustentou que, por não conseguir enfrentá-lo politicamente no parlamento, o governo teria optado por atingir um familiar, caracterizando o episódio como retaliação.
Críticas à PGM e escalada de confronto político
Grande parte do discurso foi direcionada à Procuradoria-Geral do Município. O vereador acusou o órgão de incompetência técnica, perseguição política e de atuar para constranger opositores. Em diversos momentos, Morandi utilizou linguagem dura e afirmou que o governo não teria coragem de enfrentar embates políticos de forma aberta.
“Não conseguem fazer um projeto de lei certo, mas têm tempo para perseguir conselheiro tutelar”, disse.
O parlamentar também fez referência a um processo envolvendo a PGM e a repercussão de um meme publicado nas redes sociais, ironizando o fato de o governo, segundo ele, se incomodar com manifestações simbólicas enquanto problemas estruturais da cidade permanecem sem solução.
Promessa de novos embates e denúncias
Durante o pronunciamento, Hiago Morandi anunciou que pretende intensificar a fiscalização e prometeu apresentar novos fatos e questionamentos ao Executivo nos próximos dias. Segundo ele, o governo estaria fragilizado internamente e sem capacidade de resposta.
“Se preparem. Vamos trazer as coisas aos poucos, conta-gotas”, afirmou.
O vereador também declarou que não pretende recuar diante de eventuais tentativas de pressão política, destacando que sua atuação combativa antecede o mandato parlamentar.
Saúde, contratos e críticas à gestão
Ao final, Morandi ampliou o foco das críticas, citando problemas na saúde pública, especialmente a falta de leitos hospitalares, contratos administrativos e licitações. Segundo ele, o governo deveria priorizar a solução dessas demandas em vez de, conforme afirmou, tentar silenciar a oposição.
“Tem gente aguardando sete, dez dias por leitos. É disso que deveriam se ocupar”, concluiu.
Clima político acirrado no início do ano legislativo
O discurso marca um início de ano legislativo com forte tensão política em Caxias do Sul. As declarações do vereador devem repercutir nos próximos dias tanto no meio político quanto nas redes sociais, ampliando o embate entre oposição e governo municipal.
Até o momento, a Prefeitura de Caxias do Sul e a Procuradoria-Geral do Município não se manifestaram oficialmente sobre as acusações feitas em plenário.
Foto: Divulgação/Redes sociais
