Vítimas de Epstein se levantam contra a impunidade: Agressores ainda escondidos e protegidos

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Novos documentos sobre Jeffrey Epstein revelam figuras públicas e geram polêmicas.

As vítimas de Jeffrey Epstein afirmam que seus supostos agressores continuam ocultos e protegidos, mesmo após a recente divulgação de milhões de páginas do caso pelo governo dos Estados Unidos.

O procurador-geral adjunto Todd Blanche esclareceu que a Casa Branca não teve participação na revisão dos arquivos divulgados pelo Departamento de Justiça, que incluem fotos e vídeos. Em coletiva de imprensa, Blanche afirmou: “Não disseram a este departamento como fazer nossa revisão, o que procurar, o que censurar, o que não censurar”.

Epstein, um notório agressor sexual, morreu na prisão em 2019, enquanto aguardava julgamento por acusações de tráfico sexual de menores, com sua morte sendo declarada suicídio.

Os mais de três milhões de documentos divulgados citam Trump e outras figuras públicas, como Elon Musk, Bill Gates e o ex-príncipe britânico Andrew. O Departamento de Justiça ressaltou que parte dos documentos contém “alegações falsas e sensacionalistas” sobre Trump, apresentadas ao FBI antes das eleições de 2020.

Blanche, que atuou como advogado de Trump, negou a exclusão de material comprometedor nos arquivos, que incluem pelo menos 180 mil imagens e 2 mil vídeos. Ele afirmou: “Não protegemos o presidente Trump. Não protegemos nem deixamos de proteger ninguém”.

Todas as imagens de meninas e mulheres foram censuradas, exceto aquelas que mostram Ghislaine Maxwell, ex-cúmplice de Epstein, atualmente cumprindo pena de 20 anos por tráfico de menores.

Ocultos e protegidos

As vítimas dos abusos cometidos por Epstein expressaram, em uma carta, que os arquivos contêm informações que permitem sua identificação, enquanto os homens que abusaram delas permanecem ocultos e protegidos. A carta, assinada por 19 pessoas, exige a publicação completa dos arquivos Epstein e solicita que a procuradora-geral dos Estados Unidos preste depoimento ao Congresso no próximo mês.

Os documentos incluem um rascunho de e-mail onde Epstein afirma que Bill Gates teve relações extraconjugais, informação negada pela Fundação Gates. Outro documento revela uma troca de mensagens entre Elon Musk e Epstein, em que Musk pergunta sobre uma festa em sua ilha.

Musk declarou que as mensagens poderiam ser “mal interpretadas” e pediu que a Justiça processe aqueles que, ao lado de Epstein, cometeram crimes graves. Epstein também associou Steve Tisch, produtor do filme Forrest Gump, a diversas mulheres em mensagens.

O ex-príncipe Andrew, que perdeu seus títulos reais devido aos vínculos com Epstein, convidou Epstein ao Palácio de Buckingham, em 2010, após o financista se oferecer para apresentá-lo a uma mulher russa. A ala conservadora dos apoiadores de Trump acompanha o caso de Epstein há anos, acreditando que ele comandava uma rede de tráfico sexual voltada à elite mundial.

Maxwell é a única outra pessoa acusada pelos crimes de Epstein, e o procurador-geral adjunto minimizou as expectativas de novas acusações a partir dos documentos divulgados.

Atraso na publicação

Trump e o ex-presidente Bill Clinton são frequentemente citados nos documentos, mas nenhum deles foi acusado de crimes. O presidente republicano, que frequentava os mesmos círculos sociais que Epstein, resistiu à publicação dos documentos por meses, mas o descontentamento dentro do Partido Republicano o levou a sancionar uma lei para a divulgação de todos os documentos da investigação.

Trump apresentou versões diferentes sobre os motivos que levaram ao seu afastamento de Epstein e criticou a divulgação dos arquivos, afirmando que pessoas que “conheceram Epstein inocentemente” poderiam ter suas reputações prejudicadas.

O vice-procurador-geral afirmou que a divulgação marca o fim de um processo de identificação e revisão de documentos, que ocorreram com atraso. A Lei de Transparência dos Arquivos Epstein determinava que todos os documentos do Departamento de Justiça fossem publicados até 19 de dezembro.

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