Vorcaro descarta depoimento na CPMI do INSS
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, não comparecerá à CPMI sobre fraudes do INSS.
O proprietário do Banco Master, Daniel Vorcaro, optou por não comparecer à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga fraudes relacionadas ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A decisão foi confirmada por seu advogado, Roberto Podval.
A escolha de não comparecer à CPMI é respaldada por um despacho do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que, em uma decisão recente, declarou que Vorcaro não é obrigado a participar dos depoimentos agendados. Além da CPMI do INSS, o banqueiro também tinha uma audiência marcada na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) para o dia seguinte, da qual também está dispensado.
O ministro do STF argumentou que a presença de Vorcaro na audiência é opcional, considerando que ele se encontra na condição de investigado no processo que apura as fraudes no Banco Master. Mendonça é o relator do caso.
O presidente da CPMI do INSS, deputado Alfredo Gaspar, confirmou por meio de sua assessoria que a presença do banqueiro foi cancelada e que a pauta da reunião foi alterada em decorrência disso. Em uma decisão adicional, o ministro Mendonça determinou que os dados referentes à quebra de sigilo telemático, bancário e telefônico de Daniel Vorcaro sejam devolvidos à CPMI. Essa comissão investiga o suposto envolvimento do banco em empréstimos consignados e descontos irregulares em aposentadorias.
A decisão do ministro atendeu a um pedido da própria CPMI e reverteu uma determinação anterior do ex-relator do caso, ministro Dias Toffoli, que havia decidido que os dados fossem armazenados na presidência do Senado.
Além disso, Mendonça estipulou que as informações sobre Vorcaro devem ser enviadas à Polícia Federal, que está conduzindo investigações sobre as fraudes no Banco Master. Posteriormente, a PF deverá compartilhar esses dados com a CPMI.
Essa medida foi recebida com satisfação pelo presidente da CPMI, que a classificou como uma “vitória da transparência”. Ele destacou que a divulgação de informações é essencial no combate a fraudes e que a determinação de envio imediato dos dados à Polícia Federal fortalece a investigação em andamento.
Em novembro de 2025, Daniel Vorcaro e outros envolvidos foram alvos da Operação Compliance Zero, realizada pela Polícia Federal, que investigou a concessão de créditos fraudulentos pelo Banco Master, incluindo tentativas de aquisição da instituição financeira pelo Banco Regional de Brasília (BRB), um banco público vinculado ao governo do Distrito Federal.
As investigações preliminares indicam que as fraudes podem totalizar até R$ 17 bilhões.
