Zuckerberg depõe em júri inédito sobre vício de crianças e adolescentes em redes sociais

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Júri popular avalia responsabilidade das redes sociais na saúde mental de jovens.

O CEO da Meta Platforms, Mark Zuckerberg, compareceu ao Tribunal de Los Angeles para prestar depoimento em um júri popular que examina se as redes sociais causam vício em crianças e adolescentes.

A Meta, proprietária do Instagram e Facebook, e o Google, dono do YouTube, estão sendo processados neste caso inédito. O julgamento deve se estender até abril e envolve também outras grandes plataformas como TikTok e Snapchat, que já firmaram acordos confidenciais antes do início das audiências.

As grandes empresas de tecnologia são acusadas de desenvolver produtos viciantes para maximizar lucros.

A ação judicial é liderada por uma jovem de 20 anos, identificada como K.G.M., que começou a usar redes sociais aos 6 anos. Ela alega que a exposição a conteúdos prejudiciais contribuiu para o desenvolvimento de depressão, ansiedade e distorções de imagem.

Além do caso de Kaley, cerca de 800 pessoas estão envolvidas na ação, o que torna este processo um marco na responsabilização das redes sociais pela saúde mental. Especialistas afirmam que, nos EUA, casos semelhantes podem ser reunidos em um único julgamento, tornando a decisão vinculativa para todos os envolvidos.

Como surgiu o júri

Este é o primeiro júri popular nos EUA a avaliar a responsabilidade das redes sociais na saúde mental de jovens. A jovem Kaley, que move a ação, argumenta que as redes sociais tiveram um impacto devastador em sua vida.

Reação global

Se a Meta perder o caso, poderá enfrentar indenizações significativas, o que pode enfraquecer a defesa legal das gigantes da tecnologia em casos semelhantes. O processo se insere em um movimento global que busca entender o impacto das redes sociais na saúde mental.

Na Austrália, por exemplo, o acesso às redes sociais foi proibido para menores de 16 anos, enquanto na Espanha e em outros países, medidas semelhantes estão sendo consideradas. Nos EUA, a Flórida já implementou restrições para usuários com menos de 14 anos, embora a lei esteja sendo contestada judicialmente.

Redes sociais negam

As empresas acusadas negam as alegações e afirmam que têm investido em ferramentas de proteção aos usuários. A Meta cita estudos que não encontraram evidências conclusivas de que as redes sociais afetem negativamente a saúde mental das crianças.

Este julgamento é visto como um teste para várias ações semelhantes contra empresas como Alphabet, Snap e TikTok, que enfrentam acusações de contribuírem para uma crise de saúde mental entre os jovens.

Zuckerberg deverá responder a questionamentos sobre estudos internos da Meta que abordam o impacto do uso da plataforma entre adolescentes. Recentemente, um executivo da empresa afirmou não ter conhecimento de um estudo que não encontrou relação entre a supervisão dos pais e o controle dos jovens sobre o uso das redes.

Documentos apresentados no tribunal indicam que adolescentes em situações difíceis relataram o uso habitual da plataforma, muitas vezes sem perceber. Advogados da Meta argumentam que os problemas de saúde da autora são resultado de uma infância conturbada e que as redes sociais serviram como um espaço de expressão criativa.

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