Agro enfrenta riscos de El Niño e aumento dos fertilizantes após um início de ano promissor

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Agropecuária brasileira cresce 2% e impulsiona economia no início de 2026

A agropecuária brasileira registrou um crescimento de 2% no primeiro trimestre de 2026, contribuindo significativamente para a alta da economia nacional. Este crescimento foi impulsionado, principalmente, pelo aumento na produção de grãos, especialmente a soja, que teve uma colheita robusta nesse período.

No entanto, as expectativas para os próximos meses não são tão otimistas. Especialistas alertam que a agropecuária pode enfrentar dificuldades devido ao fenômeno climático El Niño, que traz riscos de perdas nas colheitas e aumento nos custos de produção, especialmente com fertilizantes. As previsões indicam que a produção pode entrar em uma trajetória de queda até 2027.

O El Niño é conhecido por causar condições climáticas extremas, e a comparação com o último evento significativo, que ocorreu entre 2014 e 2015, revela preocupações. Naquela época, o Brasil enfrentou uma das maiores quebras de safra de sua história, o que gera receios entre os produtores atuais.

Além das condições climáticas, a situação econômica também é um fator preocupante. A alta dos juros tem aumentado o endividamento dos produtores, tornando o crédito mais caro e dificultando investimentos em tecnologias e insumos que poderiam melhorar a produtividade. Isso pode levar os agricultores a reduzir a área plantada ou a optar por métodos menos eficientes, impactando negativamente a produção.

Embora o crescimento de 2% nos primeiros meses de 2026 seja um bom sinal, o cenário é considerado insustentável a longo prazo. A oferta global de grãos e os estoques elevados pressionam os preços das commodities, enquanto a valorização do real em relação ao dólar pode afetar o faturamento dos produtores em moeda local.

O impacto do El Niño, se confirmado, não deve afetar as colheitas deste ano, pois a maioria das safras já foi plantada. No entanto, os produtores podem enfrentar dificuldades financeiras devido ao aumento dos custos de replantio e possíveis atrasos nas atividades agrícolas.

As regiões mais afetadas pelo fenômeno incluem o Matopiba, que abrange partes do Tocantins, Maranhão, Piauí e Bahia, onde a produção de soja, milho e algodão é significativa. Por outro lado, o excesso de chuvas no Sul do Brasil pode prejudicar cultivos, como o arroz, especialmente no Rio Grande do Sul.

Os efeitos da alta dos preços dos fertilizantes devem ser sentidos pelo consumidor apenas em 2027, pois as lavouras colhidas neste ano foram cultivadas com adubos adquiridos antes do início de tensões globais. Contudo, os produtores já enfrentam um aumento nos custos de insumos, o que pode impactar a produtividade futura.

A necessidade de utilizar fertilizantes menos concentrados, devido ao aumento dos preços, pode levar a um uso ineficiente, resultando em menor produtividade. Isso também implica em custos adicionais com transporte e operações agrícolas, o que agrava ainda mais a situação financeira dos agricultores.

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