Lula busca neutralizar ataque de Flávio Bolsonaro ao classificar CV e PCC como terroristas

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Lula classifica facções criminosas como terroristas em resposta a declarações de Trump.

O presidente Lula buscou neutralizar críticas de seu adversário político, Flávio Bolsonaro, ao afirmar que facções criminosas atuam como terroristas nas comunidades brasileiras.

Em uma declaração feita após a decisão do governo dos Estados Unidos de classificar o PCC e o CV como organizações terroristas, Lula enfatizou que essas facções representam uma ameaça real para a sociedade, especialmente para a população de baixa renda.

A retórica utilizada pelo presidente visa destacar que, para os moradores de áreas afetadas pela violência, o crime organizado já impõe um estado de terror. O governo, ao não reconhecer essas facções como terroristas, poderia ser acusado de proteger criminosos.

Na noite anterior ao seu discurso, Lula havia comunicado a seus auxiliares que tomaria essa posição sobre o PCC e o CV, reforçando que as facções são terroristas para os pobres e que estão sendo combatidas internamente. Ele também fez acusações de traição contra Flávio Bolsonaro, repetindo a crítica publicamente no dia seguinte.

Relatos indicam que o presidente se sentiu compelido a se manifestar sobre a viagem de Flávio aos EUA, onde o senador buscou apoio para uma intervenção americana no Brasil.

Os assessores de Flávio Bolsonaro afirmam que, até o momento, a repercussão nas redes sociais tem sido favorável ao senador. Entretanto, um parlamentar que pediu anonimato alertou que será necessário avaliar se o governo conseguirá manter essa linha de argumentação e inverter a tendência positiva em relação a Flávio nos próximos dias.

O grupo político de Flávio esperava que o governo adotasse uma postura contrária à classificação das facções como terroristas, o que lhes permitiria acusar Lula de proteger criminosos. Embora o presidente tenha criticado a decisão dos EUA, ele se esforçou para não deixar espaço para ataques.

Lula declarou: “Esse tal de Comando Vermelho e esse tal de PCC são terroristas para as comunidades brasileiras, para a sociedade brasileira. Para o povo da periferia desse país, eles são terroristas”. Ele também se comprometeu a combater essas facções dentro do país.

O presidente fez uma distinção entre o ato de aterrorizar a população e o que é tradicionalmente considerado terrorismo, mencionando Donald Trump em sua fala.

Ele afirmou: “Eles não são os terroristas que o Trump quer. O Trump quer o Osama Bin Laden”. Essa referência ao líder da Al Qaeda, morto em 2011, ressaltou a diferença entre as facções brasileiras e o terrorismo internacional.

A declaração de Lula surpreendeu alguns líderes do Partido dos Trabalhadores, que esperavam um foco maior na soberania nacional. Há incertezas sobre como sustentar a narrativa de que as facções são terroristas, enquanto se critica a decisão americana.

Um trecho do discurso de Lula acabou gerando críticas de bolsonaristas. Flávio Bolsonaro divulgou um vídeo onde tenta associar a defesa de criminosos à declaração de Lula sobre as facções serem “nossos criminosos”.

O presidente expressou sua tristeza em relação à declaração de um secretário americano, que caracterizou os criminosos brasileiros como terroristas, antes de reafirmar que essas facções são de fato terroristas.

Flávio aproveitou essa fala para atacar Lula nas redes sociais, questionando o uso do termo “nossos criminosos”. Ele afirmou: “‘Nossos criminosos, Lula? Não, seus criminosos. A soberania que defendemos é a do povo brasileiro, das 50 milhões de pessoas que vivem sob o domínio de narcoterroristas’.

As autoridades americanas estavam considerando a classificação das facções como terroristas há meses. As autoridades brasileiras temem que essa decisão possa abrir portas para intervenções dos EUA no Brasil, além de potencialmente desestimular investimentos estrangeiros.

A classificação do PCC e do CV como terroristas foi anunciada na quinta-feira, após reuniões nas quais Flávio Bolsonaro defendeu essa medida junto a Donald Trump e outras autoridades dos EUA.

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