Flávio Bolsonaro anuncia intenção de denunciar Lula no STF por declaração que presidente não fez sobre enforcamento semelhante ao de Tiradentes
Flávio Bolsonaro anuncia denúncia contra Lula por suposta ameaça
A campanha do pré-candidato a presidente da República, Flávio Bolsonaro (PL), informou que ele fará uma denúncia ao Supremo Tribunal Federal (STF) sobre alegados “crimes praticados” pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A assessoria do parlamentar destacou que Lula teria afirmado que o senador deveria ter o mesmo destino que Tiradentes, sendo morto por enforcamento, o que, segundo Flávio, configura crime de ameaça e incitação ao crime.
O discurso que gerou a controvérsia ocorreu no Instituto Federal de Educação Goiano, onde Lula criticou a família Bolsonaro, acusando-a de conspirar contra o Brasil em território americano e chamando seus membros de traidores.
Entretanto, é importante esclarecer que, ao contrário do que a campanha de Flávio Bolsonaro alega, Lula não fez menção direta ao enforcamento do senador. O presidente comentou que os filhos de Jair Bolsonaro conseguem ser ainda piores que ele, referindo-se ao ex-presidente, atualmente sob prisão domiciliar. Lula utilizou o exemplo de Joaquim Silvério dos Reis, que delatou Tiradentes, mas cometeu um erro histórico ao afirmar que Silvério foi enforcado.
Na verdade, Tiradentes foi enforcado e esquartejado após sua delação, enquanto Silvério dos Reis foi recompensado pela Coroa Portuguesa e não sofreu a mesma pena. Lula, em seu discurso, afirmou: “São vendilhões da pátria. Foram pedir para que um país estrangeiro se intrometesse nas decisões brasileiras. São traidores. Por menos do que isso, Joaquim Silvério dos Reis foi enforcado”, sem citar Flávio Bolsonaro diretamente.
O presidente continuou sua crítica, questionando o que merecem aqueles que pedem intervenção de um país estrangeiro em assuntos nacionais. Ele ressaltou que a covardia se manifesta na falta de coragem para assumir palavras proferidas, referindo-se à postura de Flávio Bolsonaro.
No final do discurso, Lula reiterou a gravidade da situação sem mencionar o enforcamento. Ele enfatizou que não é normal um cidadão de um país solicitar intervenção de outro país e que isso deve ser levado a sério, pois a traição não pode ser banalizada. Ele concluiu mencionando a história de Judas e Tiradentes, expressando seu desejo de não ver mais traidores no país.
Após a repercussão, a assessoria de Flávio Bolsonaro foi questionada sobre a possibilidade de processar Lula e respondeu que a decisão caberia ao juiz. Isso levanta questões sobre a interpretação das falas do presidente e as implicações legais que podem surgir a partir delas.
