Tarcísio defende autonomia policial e nega interferência após críticas de Nunes e Flávio
Governador reafirma autonomia da polícia após operação envolvendo produtora de filme sobre Bolsonaro.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, declarou que a Polícia Civil possui autonomia para conduzir suas investigações. A afirmação veio um dia após uma operação que buscou evidências em endereços relacionados à produtora do filme “Dark Horse”, que retrata a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A operação gerou críticas do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, que a classificou como uma “perseguição política”. O senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à presidência, também levantou a possibilidade de que a ação policial seja uma tentativa de “influenciar as eleições”.
Tarcísio, durante um evento em Rio Claro, enfatizou que a polícia não sofre interferência política e que a operação foi realizada em resposta a uma demanda do Ministério Público. “A polícia é uma instituição de Estado e sempre atuará em conformidade com a lei”, afirmou.
A Operação Wi-Fi cumpriu oito mandados de busca e apreensão em propriedades de Karina Ferreira da Gama, proprietária da Go Up Entertainment, e de empresas vinculadas ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), que ela também preside. O inquérito investiga possíveis irregularidades em um contrato de R$ 108 milhões firmado em 2024 com a prefeitura para a instalação de pontos de wi-fi gratuito, além de apurar se parte dos recursos foi utilizada na produção do filme.
Críticas à operação foram ouvidas tanto de assessores de Nunes quanto de aliados de Tarcísio, que expressaram preocupações sobre a falta de controle sobre a Polícia Civil. Além disso, alguns apoiadores de Bolsonaro entraram em contato com o governador para manifestar descontentamento em relação à ação policial.
Nunes, ao comentar a operação, questionou a necessidade de uma ação na prefeitura, uma vez que os documentos requisitados eram de domínio público. Ele sugeriu que a operação poderia ter motivações políticas.
Para justificar a operação, a Polícia Civil informou ao Judiciário que havia tentado obter informações por meio de ofícios, mas não obteve respostas. Informações divulgadas por um veículo de comunicação revelaram que Flávio Bolsonaro estava negociando com um ex-banqueiro o financiamento da produção do filme “Dark Horse”.
De acordo com esses relatos, R$ 61 milhões foram repassados para o longa-metragem, e a Polícia Federal investiga se esses recursos foram utilizados para cobrir despesas do ex-deputado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. Ambos negam qualquer irregularidade nas transações.
