Agro antecipa desafios com El Niño e aumento nos preços de fertilizantes após término da ‘tempestade perfeita’

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Agropecuária brasileira registra crescimento de 2% no primeiro trimestre, mas enfrenta desafios futuros.

O crescimento de 2% na agropecuária brasileira no primeiro trimestre deste ano trouxe otimismo, mas especialistas alertam que o setor pode enfrentar dificuldades nos próximos meses. O aumento da produção de grãos, especialmente da soja, foi um dos principais fatores que contribuíram para esse resultado positivo.

Entretanto, a expectativa é que a agropecuária comece a perder força em razão de possíveis perdas nas colheitas devido ao fenômeno climático El Niño e ao aumento nos custos de produção, especialmente em relação aos fertilizantes. Esses fatores podem levar a uma trajetória de queda até 2027.

O economista Felippe Serigati, da FGV Agro, destaca que “não se faz safra recorde em ano de El Niño”. O fenômeno já causou severas quebras de safra em anos anteriores, como em 2014 e 2015, e sua influência negativa pode ser sentida em várias regiões do Brasil, que enfrentam tanto secas intensas quanto chuvas excessivas.

Apesar da perspectiva de retração, o crescimento de 2% na agropecuária foi notável, considerando que o setor havia registrado um crescimento de 12% no ano anterior, impulsionado por condições climáticas favoráveis e recordes de safra. No entanto, a base de comparação para este ano é elevada e o cenário atual é diferente, com ampla oferta global de grãos e estoques elevados, pressionando os preços das commodities.

Serigati prevê que o PIB do agronegócio deve recuar 0,9% neste ano, impactado por juros elevados e aumento do endividamento dos produtores, que podem levar à redução da área plantada ou à utilização de tecnologias menos eficientes. Isso, por sua vez, pode comprometer o potencial de produtividade das safras futuras.

O impacto do El Niño, embora não afete as colheitas deste ano, pode obrigar os produtores a adiar o plantio, resultando em maiores gastos com replantio e atrasos. O fenômeno é conhecido por provocar secas intensas em regiões chave para a produção agrícola, como o Matopiba, e também pode impactar negativamente a produção de arroz no Sul do país.

A alta dos preços dos fertilizantes deve refletir no custo dos alimentos apenas em 2027, uma vez que as lavouras deste ano foram plantadas com adubos adquiridos antes do aumento de preços. Contudo, os produtores já enfrentam uma realidade de custos elevados ao adquirir fertilizantes para os próximos ciclos de plantio.

Se os produtores não conseguirem arcar com a quantidade necessária de fertilizantes, podem optar por aplicar uma quantidade inferior, o que compromete a produtividade. Alternativamente, a redução da qualidade do adubo pode levar a um aumento nos custos de transporte e operação, afetando ainda mais a viabilidade econômica do setor.

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