Tarifa americana sobre tilápia brasileira pode reduzir preço do peixe no Brasil

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EUA propõem tarifa de 25% sobre mercadorias brasileiras visando práticas comerciais ‘irrazoáveis’

Uma nova proposta dos Estados Unidos busca implementar uma tarifa de 25% sobre mercadorias brasileiras, com o objetivo de punir práticas consideradas ‘irrazoáveis’ pelo governo americano. Essa medida pode impactar diversas exportações do Brasil, especialmente no setor de aquicultura.

A tilápia se destaca como o peixe brasileiro mais exportado, com os Estados Unidos absorvendo cerca de 90% do volume vendido ao exterior. No entanto, a dependência do mercado americano é maior nesse setor do que em outros, como carne e café, onde há uma base de compradores mais diversificada.

Apesar dessa forte dependência, as exportações de tilápia representam apenas 2,1% da produção total brasileira, conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior. Isso indica que, mesmo com uma possível redução nas exportações, o efeito sobre os preços internos pode ser limitado, segundo especialistas do setor.

De acordo com Matheus Do Ville Liasch, analista do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a quantidade de tilápia que ficaria disponível no mercado interno não seria suficiente para causar uma queda significativa nos preços. Ele ressalta que, embora as exportações tenham crescido, elas ainda são modestas em comparação ao volume destinado ao mercado interno.

Francisco Medeiros, presidente da Associação Brasileira de Piscicultura (PeixeBR), também acredita que é possível uma leve queda nos preços em mercados regionais, mas não em uma escala que afete o mercado nacional como um todo.

A proposta de tarifa é justificada com base em uma série de atos e políticas do governo brasileiro que, segundo os EUA, onera ou restringe o comércio bilateral. Essa ação levanta preocupações sobre como diferentes setores da economia brasileira poderão ser afetados.

Por que a tilápia não foi isenta?

Ao contrário de produtos como carne e café, que têm uma dependência maior do mercado americano, a tilápia possui concorrentes relevantes, como a China, Colômbia e Indonésia, que também exportam para os EUA. O Brasil ocupa a quarta posição entre os exportadores de tilápia para os Estados Unidos.

Adicionalmente, a maior parte do mercado americano de tilápia é composta por filé congelado, enquanto o Brasil se destaca na exportação de filé fresco, o que pode influenciar a competitividade no mercado.

Em um cenário recente, tarifas impostas anteriormente pelo governo Trump foram anuladas pela Suprema Corte dos EUA, mas ainda assim, causaram uma queda de 43,7% nas exportações brasileiras de tilápia no segundo semestre de 2025. Apesar disso, o Brasil conseguiu aumentar suas exportações para o Canadá, embora a diversificação de mercados seja uma estratégia de longo prazo.

Os especialistas ainda consideram prematuro avaliar os impactos da nova tarifa. A possibilidade de tarifas semelhantes sendo aplicadas a concorrentes do Brasil, como a Colômbia, pode alterar o cenário competitivo.

Eduardo Lobo, presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Pescado (Abipesca), enfatiza que a tilápia não está diretamente citada nas investigações que fundamentam a proposta de tarifa, o que levanta expectativas de que haja uma análise técnica cuidadosa durante o processo de consulta pública.

Produtos brasileiros que ficaram de fora da tarifa de 25%

🥩 Produtos alimentícios e agrícolas

  • Carne bovina: cortes frescos, refrigerados ou congelados, com osso ou desossado, incluindo carcaças e cortes de alta qualidade, além de miúdos, carne enlatada e carne seca ou defumada;
  • Frutos do mar e derivados: corais, conchas e materiais similares.
  • Hortaliças e fungos: chuchu, brotos de bambu, castanhas-d’água, orelha-de-pau e cogumelos shiitake secos.
  • Raízes e tubérculos: mandioca, taro, mangarás, jicama e araruta.
  • Frutas: tomates, cocos, fruta-pão, bananas, plátanos, abacaxis, abacates, goiabas, durians, mangas, laran

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