IPO da SpaceX é lançado com foco em inteligência artificial avaliado em US$ 1,75 trilhão
SpaceX inicia negociações com avaliação de US$ 1,75 trilhão, marcando um novo capítulo no mercado de tecnologia.
As negociações das ações da SpaceX têm início nesta quinta-feira, 12, com uma oferta avaliada em impressionantes US$ 1,75 trilhão. Essa abertura de capital se destaca como a maior da história, posicionando a empresa entre as dez mais valiosas do mundo. O momento é estratégico, pois ocorre simultaneamente com as preparações de listagens de concorrentes diretos no setor de inteligência artificial.
Apesar de um prejuízo de quase US$ 5 bilhões no último ano, a avaliação da SpaceX levanta questionamentos sobre o que realmente está sendo precificado. A resposta parece estar mais relacionada aos dados e à tecnologia do que aos serviços de lançamento de foguetes.
O negócio principal da SpaceX, que inclui serviços de lançamento e a rede de satélites Starlink, é considerado lucrativo e tecnicamente superior a qualquer concorrente. O Starlink, além de sua importância comercial, teve um papel crucial durante a guerra na Ucrânia, garantindo comunicações essenciais. No entanto, as estimativas mais otimistas para esses negócios somam cerca de US$ 300 bilhões, representando menos de 20% da avaliação da oferta, deixando uma grande parte da valorização dependente do futuro da inteligência artificial.
A tese dos US$ 26,5 trilhões
Dentro de um mercado endereçável de US$ 28,5 trilhões identificado pela SpaceX, impressionantes US$ 26,5 trilhões estão vinculados à inteligência artificial. A empresa também possui a xAI, a companhia de IA de Elon Musk, e planos para construir centros de dados espaciais que visam fornecer capacidade computacional para aplicações na Terra. Acreditar nessa tese implica em considerar que a indústria de IA pode alcançar um tamanho comparável à economia dos Estados Unidos ou da Europa.
Analistas, como Sinead O’Sullivan, observam que a SpaceX, embora tenha uma história de inovações em foguetes, direciona a maior parte de seus investimentos para centros de dados e IA, cuja conexão com a exploração espacial é questionável. A marca, segundo ela, é um conglomerado sob a liderança de Elon Musk, que detém controle significativo sobre a empresa.
A estrutura de controle da SpaceX levanta preocupações entre analistas. Musk, como fundador e CEO, possui 42% das ações, mas com direitos de voto que lhe conferem controle sobre 85% das decisões. Para investidores institucionais, isso significa que, ao comprar ações, eles não têm poder real sobre os rumos da empresa, levando a questionamentos sobre o verdadeiro valor da propriedade acionária.
Teste de estresse para o mercado de IA
A oferta da SpaceX marca o início de uma série de IPOs que testarão o apetite do mercado por empresas com avaliações elevadas e histórico limitado de lucratividade. Com a Anthropic e a OpenAI seguindo o mesmo caminho, essas três empresas estão no centro do que é considerado a vanguarda da IA, e o desempenho de suas ações será um indicador da confiança dos investidores nessa nova era tecnológica.
Embora existam semelhanças com a bolha das empresas de internet no início dos anos 2000, a SpaceX apresenta vantagens, como receitas reais e contratos governamentais significativos. A empresa está oferecendo apenas 5% de suas ações nesta oferta inicial, o que equivale a US$ 75 bilhões. Se outras empresas do setor seguirem essa tendência, o volume total de novas ações pode alcançar trilhões de dólares, desafiando a capacidade de absorção do mercado.
Para executivos de tecnologia, o IPO da SpaceX tem implicações que vão além do mercado de capitais. A proposta central, que sugere que centros de dados espaciais e modelos de IA serão a próxima camada de infraestrutura crítica, pode acelerar os investimentos em IA se o mercado validar essa tese. Caso contrário, a decepção pode impactar o financiamento do setor de forma imediata e abrangente.
