Família Brasileira Encontra Refúgio e Coragem no Marrocos
Família brasileira encontra segurança e novas oportunidades em Marrocos
A química Teresa Cristina Fonseca da Silva, de 44 anos, teve uma interação inesperada em Marraquexe, onde reside com sua família desde 2019. Ao sair de um supermercado, foi saudada por um vendedor ambulante, que reconheceu sua nacionalidade e fez referência ao famoso jogador Neymar.
Quando se mudou para o Marrocos com o marido, Leonardus Vergutz, e os filhos Davi e Gustavo, a família buscava um ambiente seguro, longe da violência urbana que enfrentavam no Brasil. A mudança foi motivada por um trauma vivido em um assalto, que os fez buscar novas oportunidades no exterior.
Leonardus, especialista em fertilizantes, conquistou uma posição na Universidade Politécnica Mohammed VI, uma instituição de prestígio no Marrocos. O país, conhecido por ser o maior produtor de fosfatos do mundo, se tornou um novo lar para a família, que inicialmente planejava uma estadia de um ou dois anos.
Com o tempo, a experiência se prolongou, e a família começou a se adaptar à nova cultura. Teresa expressa que, embora no início tenha achado o país “muito feio” e “pobre”, hoje se sente completamente adaptada e segura. Sua experiência no Marrocos contrasta com o medo que sentia no Brasil, onde a criminalidade era uma preocupação constante.
Marraquexe, com mais de um milhão de habitantes, oferece um ambiente onde a criminalidade é considerada moderada e a segurança elevada. Os brasileiros que residem no país, cerca de 400, de acordo com dados consulares, encontram um cotidiano diferente, marcado pela escassez de verde e pela cultura árabe.
Apesar das diferenças, Teresa destaca a bondade dos marroquinos e a sensação de segurança que experimenta. Ela também se aventurou no empreendedorismo, mediando importações de commodities brasileiras para o mercado africano, o que a permitiu explorar ainda mais o país.
Os filhos estudam em uma escola internacional americana, onde aprendem inglês, e o francês é a língua utilizada nas interações diárias. No entanto, a adaptação à cultura local não foi plena, e Teresa sente falta das interações familiares que tinha no Brasil.
Embora a vida no Marrocos tenha trazido novas experiências e desafios, Teresa acredita que essa fase tem um prazo de validade. Ela planeja retornar ao Brasil em dois ou três anos, mantendo a conexão com suas raízes, mas reconhecendo que a experiência marroquina tem sido valiosa.
Enquanto isso, a saudade do Brasil é amenizada com pequenos prazeres, como o polvilho para fazer pão de queijo, que traz de Minas Gerais em suas visitas ao país. A família continua a equilibrar a vida entre as duas culturas, mantendo viva a ligação com suas origens.
