HPE destaca a importância da rede na era ágil e foca no setor de energia como novo desafio
A HPE destaca a governança e a rede como pilares da evolução da inteligência artificial.
A inteligência artificial atingiu um estágio em que a prioridade não é apenas a criação de modelos mais potentes, mas sim a implementação desses modelos de maneira controlada, segura e financeiramente viável. Essa ideia foi central na apresentação do presidente e CEO da Hewlett Packard Enterprise (HPE), Antonio Neri, durante o HPE Discover 2026, realizado em Las Vegas.
Neri abordou a inteligência artificial não como uma tecnologia emergente, mas como um desafio de gestão. Ele enfatizou que as empresas em breve precisarão lidar com milhares de agentes autônomos operando em diversas funções. A questão crucial não é se esses agentes serão adotados, mas o que ocorre quando eles cometem erros ou consomem dados incorretos.
Um dos pontos mais provocadores da apresentação foi a afirmação de que o verdadeiro gargalo da próxima fase da inteligência artificial não reside na capacidade computacional, mas sim na infraestrutura de rede. Neri destacou que o desempenho de toda a arquitetura depende de cada byte e cada decisão que transita pela rede.
Esse diagnóstico fundamenta a recente aquisição da Juniper Networks pela HPE, finalizada em 2024 por US$ 14 bilhões. A integração dos portfólios resultou em uma nova arquitetura de rede que abrange desde o treinamento de modelos até a inferência na borda, passando por redes de campus e filiais.
Governança antes de escala
A governança surge como uma preocupação central na adoção de tecnologias de inteligência artificial. Durante uma sessão com a imprensa, Neri foi claro ao afirmar que muitos clientes expressam inquietações sobre governança, custos, segurança e controle. Essas preocupações são fundamentais para a evolução da plataforma Private Cloud AI da HPE.
A HPE ampliou essa plataforma para suportar cargas de trabalho autônomas, implementando um modelo de identidade em três camadas: verificação do usuário, governança do agente e aprovação humana para ações sensíveis. Cada agente opera em um ambiente isolado, com controles rigorosos sobre os dados que pode acessar e as ações que pode realizar. A colaboração com a Zerto permite reverter o estado do ambiente em caso de erros cometidos por um agente.
A lógica por trás dessa abordagem é que agentes autônomos, quando operam em sistemas críticos sem mecanismos de reversão, representam um risco operacional significativo que muitas empresas ainda não consideraram. A HPE busca transformar essa preocupação em uma vantagem comercial.
Neri concluiu sua apresentação com um alerta que vai além do campo tecnológico, mencionando que a produção de inteligência artificial depende fortemente da energia elétrica. De acordo com previsões, os Estados Unidos enfrentarão um déficit de 19 gigawatts de capacidade elétrica até 2028, com centros de dados consumindo quase metade da eletricidade do país até 2031.
Questionado sobre como o setor enfrentará essa limitação, Neri não subestimou o problema. Ele afirmou que os grandes provedores de serviços estão se preparando para construir suas próprias redes, semelhante ao conceito de 5G privado, onde uma parte do espectro é utilizada para criar um ambiente isolado. Esses provedores estão investindo bilhões em suas próprias infraestruturas de energia.
Quantum como horizonte, não como produto
Em relação à computação quântica, Neri adotou uma postura cautelosa, evitando comparações de substituição e enfatizando a convergência. Ele comparou a computação quântica com as GPUs, afirmando que o quântico terá um papel importante em áreas específicas. A rede, segundo ele, será o núcleo que conectará a computação tradicional, a inteligência artificial e a computação quântica. Durante o evento, a HPE anunciou a formação da Quantum Scaling Alliance, um consórcio com oito empresas focado no desenvolvimento de padrões para essa integração.
“Arquitete de forma deliberada: as escolhas que você faz hoje vão definir o seu sucesso amanhã”, concluiu Neri.
