Federasul promove encontro com pré-candidatos a vice-governador
Debate aproxima setor produtivo das propostas políticas e reforça o Manifesto do Empreendedor.
A Federasul promoveu um debate com pré-candidatos à vice-governador do Rio Grande do Sul, reunindo empresários, lideranças políticas e representantes de entidades. O evento faz parte do ciclo “Tá na Mesa” e tem como objetivo reforçar o Manifesto do Empreendedor, um documento elaborado ao longo de três anos para guiar o desenvolvimento do Estado.
Rodrigo Sousa Costa, presidente da Federasul, iniciou o encontro destacando a importância do diálogo democrático e respeitoso. Ele afirmou: “É uma honra fazermos um bom debate no tempo das ideias, de forma respeitosa, característica da Casa. Nosso papel é aproximar o setor produtivo das propostas que vão definir o futuro do Rio Grande.”
Os participantes incluíram Cláudio Diaz (PSDB), Edegar Pretto (PT), Ernani Polo (PSD) e Silvana Covatti (PP). Cada candidato apresentou sua trajetória e perspectiva sobre os principais desafios enfrentados pelo Estado, em uma dinâmica que permitiu réplicas e tréplicas, intensificando as discussões.
No campo da saúde, Cláudio Diaz enfatizou a importância dos 12% constitucionais para o setor: “Não podemos aceitar que a saúde siga sem os 12% constitucionais. É a vida das pessoas que está em jogo.” Em complemento, Ernani Polo reconheceu os avanços recentes, mas destacou o subfinanciamento do SUS como um desafio persistente: “Precisamos garantir que os programas cheguem a quem mais precisa e que os hospitais tenham condições de atender com dignidade.”
A segurança pública também foi um tema central, com Silvana Covatti defendendo políticas mais rigorosas contra a violência de gênero: “O feminicídio é uma chaga que precisa ser combatida com firmeza. E o empreendedor deve ter segurança jurídica para prosperar.” Ernani Polo ressaltou a importância da inovação em segurança: “O RS Seguro mostrou resultados, mas precisamos avançar com inteligência artificial para proteger ainda mais os gaúchos.”
Na discussão sobre infraestrutura, Covatti questionou a redução da malha ferroviária e pediu a revisão dos modelos de concessão. Edegar Pretto foi incisivo ao afirmar: “Faltou iniciativa e olhar para os problemas de frente. O Estado precisa integrar rodovias, ferrovias e hidrovias para destravar o desenvolvimento.” Ernani Polo acrescentou que “o produtor rural precisa de estradas seguras e logística eficiente. Sem infraestrutura, não há competitividade.”
A educação foi o último tema abordado, com críticas contundentes sobre as condições das escolas. Edegar Pretto destacou a precariedade das instituições: “Setenta e três por cento das escolas não têm ar-condicionado funcionando. Como falar em qualidade sem condições básicas? Precisamos investir em infraestrutura e garantir alimentação escolar com compras da agricultura familiar.” Ernani Polo também reforçou a importância da educação: “Precisa-se valorizar professores, modernizar escolas e preparar nossos jovens para o mercado de trabalho.”
O debate foi caracterizado por momentos acalorados, com candidatos criticando a continuidade do atual governo e defendendo a necessidade de rupturas. A ausência de Luciano Zucco em parte da programação foi vista como um sinal político importante. A Federasul reafirmou sua função como fórum estratégico, buscando aproximar o setor produtivo das propostas políticas e demandando maior protagonismo do governo em obras e renegociações de dívidas.