Defesa de Bolsonaro reconhece solicitação de conserto em arma, mas nega ligação com término da prisão domiciliar

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Defesa de Bolsonaro justifica pedido de conserto de arma em meio a investigações.

A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro reconheceu ao Supremo Tribunal Federal (STF) que ele solicitou o conserto de uma pistola após identificar uma falha, mas negou qualquer ligação entre esse pedido e o término de sua prisão domiciliar, que se encerra no dia 25 deste mês.

Os advogados argumentam que, devido ao uso de medicações psiquiátricas que podem afetar a cognição de Bolsonaro, sua equipe de segurança removeu o percussor da pistola, tornando-a inoperante. O ex-presidente, percebendo o problema, teria decidido enviar a arma para manutenção.

O ministro Alexandre de Moraes, do STF, havia dado um prazo de 24 horas para que a defesa esclarecesse a situação da arma, que foi apreendida durante uma blitz da Polícia Militar do Distrito Federal na última segunda-feira.

Moraes destacou a necessidade de entender a razão pela qual o ex-presidente mantinha uma arma de fogo em casa, especialmente com um carregador sobressalente, e por que, próximo ao final de sua prisão domiciliar, ele teria solicitado um reparo na pistola.

A pistola Glock, calibre 9 milímetros, estava com o militar Estácio Leite da Silva Filho, que integra a equipe de segurança de Bolsonaro. Estácio se apresentou aos policiais como membro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), o que foi negado pelo órgão.

O militar foi levado a uma delegacia e informou que estava transportando a arma para conserto devido a uma pane, com a intenção de devolvê-la no dia seguinte. O sistema Sigma do Exército confirmou que a pistola pertencia ao ex-presidente.

Moraes também requisitou que o batalhão da PM responsável pela segurança domiciliar de Bolsonaro esclarecesse se estão sendo realizados procedimentos de revista nos veículos que saem do condomínio do ex-presidente.

A PM respondeu que está cumprindo suas obrigações ao realizar vistorias em habitáculos e porta-malas dos veículos que deixam a residência de Bolsonaro, mas destacou que os carros do GSI permanecem em via pública e não entram na garagem, o que os isenta de inspeção.

Durante a abordagem na blitz, o policial militar Davi Evangelista Alves relatou que a pistola estava no assoalho de um veículo oficial da Presidência e que o motorista fechou o vidro de forma repentina ao ser abordado.

Estácio inicialmente afirmou que a arma estava registrada em sua documentação funcional, mas o policial constatou que não havia tal registro. Após questionamentos, o militar confirmou que a pistola pertencia a Bolsonaro e que ficava dentro do carro.

No depoimento anexado ao processo que trata da pena do ex-presidente, o militar declarou que informou de imediato que a arma era de Bolsonaro e que a pistola foi entregue a ele devido a uma pane que parecia ter uma solução simples.

A PM comunicou que um militar do Exército que dirigia um veículo oficial foi encaminhado à 21ª Delegacia de Polícia após a apreensão de uma segunda arma de fogo, além da arma institucional que ele portava regularmente.

Durante a ocorrência, o abordado não apresentou a documentação da segunda arma e alegou que ela pertencia a um terceiro. Com isso, tanto a arma quanto o condutor foram levados à 21ª DP, onde o incidente foi registrado. A blitz ocorreu na região administrativa de Taguatinga, no DF.

O GSI afirmou que Estácio nunca trabalhou no órgão durante o governo Lula e declarou que não é responsável pela segurança de ex-presidentes, incluindo Bolsonaro, ressaltando que os servidores designados para a segurança dos ex-mandatários são escolhidos por eles.

Bolsonaro está em prisão domiciliar desde 27 de março, após ser internado por duas semanas em um hospital em Brasília devido a broncopneumonia bacteriana em ambos os pulmões. Ele cumpre uma pena total de 27 anos e três meses por sua participação em uma trama golpista no país.

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