Geração Z supera millennials e boomers no consumo de filmes de terror, revela estudo científico
Geração Z busca no terror uma forma de enfrentar a ansiedade e o estresse.
A Geração Z se destaca como a geração com os mais altos níveis de ansiedade da história recente, ao mesmo tempo em que demonstra um crescente interesse por filmes de terror. Essa combinação intrigante pode ser explicada pela busca por adrenalina e pela maneira como o gênero terror proporciona uma experiência única de enfrentamento emocional.
O conceito que explica essa dinâmica é conhecido como “inoculação do estresse”. Esse mecanismo envolve a exposição controlada a medos, permitindo que os indivíduos treinem suas respostas emocionais para situações reais. Essa abordagem é similar à terapia de exposição, uma técnica reconhecida para tratar transtornos de ansiedade. Pesquisas indicam que a euforia experimentada após vivenciar experiências de medo ajuda a lidar melhor com estressores subsequentes, reduzindo a resposta neuroquímica do cérebro a estímulos ameaçadores.
Mathias Clasen, diretor do Recreational Fear Lab da Universidade de Aarhus, ressalta que experiências de medo em ambientes controlados podem ter efeitos benéficos na adaptação a estratégias de enfrentamento. O cérebro, ao processar o medo fictício em um espaço seguro, se torna mais apto a lidar com o medo real, não por dessensibilização, mas pela prática do ciclo completo de ativação, gestão e alívio.
A Geração Z, embora tenha chegado a essa compreensão de forma intuitiva, não o fez por acaso. Dados de análises de tendências mostram que, durante a pandemia, mais da metade dos jovens dessa geração considerou o terror como uma forma de “remédio para a ansiedade e trauma”. O consumo de conteúdo de horror aumentou significativamente, e essa preferência se manteve mesmo após o fim das restrições, indicando que o papel que esses filmes desempenham vai além de uma mera distração temporária.
O que pode parecer contraintuitivo possui uma lógica interna coerente. Ao assistir a um filme de terror, o sistema nervoso ativa uma resposta de medo real, resultando em reações como aumento da frequência cardíaca e foco intenso, tudo isso em um contexto de segurança. Embora não seja a mesma experiência da terapia realizada em consultórios, as dinâmicas de ativação fisiológica e segurança do ambiente são semelhantes, com a Geração Z desfrutando dessa prática de forma descontraída, acompanhada de pipoca no sofá.
A interpretação comum do consumo de terror entre os jovens tende a oscilar entre preocupações e julgamentos morais, mas as evidências apontam para uma realidade diferente. Em um mundo repleto de incertezas, ansiedade climática e pressão por desempenho, o cinema de terror oferece à Geração Z um espaço onde o medo é estruturado, permitindo que, ao final, desligar a tela traga a sensação de sobrevivência e um maior preparo para enfrentar o mundo real.
