Inovação transforma retrovisor em termômetro e facilita controle de temperatura no carro
O termômetro no espelho retrovisor: um toque de elegância nos carros de luxo dos anos 70.
Atualmente, muitos recursos automotivos permanecem inalterados há décadas, como o termômetro que indica a temperatura externa. Essa funcionalidade, que hoje é comum em painéis e telas centrais, tem uma história interessante que remonta a uma época em que a tecnologia era predominantemente analógica.
Nos primórdios, alguns fabricantes de automóveis optaram por instalar o termômetro sob o espelho retrovisor do lado do motorista. Essa escolha era prática em um período em que a eletrônica ainda não dominava o setor automotivo.
Luxo da América dos anos 70
A invenção do termômetro analógico no espelho retrovisor externo ocorreu nos Estados Unidos, durante a era dos grandes carros de luxo da década de 70. Nesse contexto, as marcas competiam para oferecer recursos extravagantes, que variavam de relógios Cartier integrados ao painel a abridores de portas de garagem.
O funcionamento desse termômetro era simples, mas engenhoso. Ele utilizava uma mola helicoidal feita de materiais sensíveis a variações de temperatura, como latão e ligas de ferro-níquel. Uma extremidade da mola estava fixada na parte interna do espelho, enquanto a outra se conectava a um tambor externo, que girava para indicar a temperatura em uma escala graduada, tudo isso sem a necessidade de eletricidade.
Alguns modelos de veículos ainda ofereciam iluminação integrada ao termômetro, utilizando lâmpadas ou cabos de fibra óptica, o que melhorava a visibilidade sem interferir nas leituras de temperatura.
Cadillac primeiro, Lincoln depois
A Cadillac foi a pioneira na implementação desse recurso, introduzindo termômetros nos espelhos retrovisores laterais por volta de 1976, antes da Lincoln, sua concorrente. Modelos como o Cadillac Seville e o Eldorado incluíam esse acessório, que se tornou um símbolo de sofisticação.
O Cadillac Fleetwood Brougham de 1976 oferecia o termômetro como opcional por um preço acessível, destacando-se em uma lista de extras que incluía itens como controle de cruzeiro e sistemas de alarme. O Buick Park Avenue, também parte da GM, incorporou esse recurso desde seu lançamento em 1975, enquanto a Lincoln começou a usar termômetros iluminados em 1978.
Luxo raro hoje em dia
Encontrar espelhos retrovisores com termômetros em bom estado se tornou uma tarefa difícil. Peças para modelos como o Lincoln Town Car de 1988 podem custar entre US$ 140 e US$ 660, enquanto um espelho para um Cadillac Seville dos anos 70 pode ultrapassar os US$ 800. Os termômetros da Lincoln, a partir da década de 1980, passaram a exibir temperaturas em escalas duplas, mas a Cadillac começou a eliminar gradualmente esses dispositivos em favor de sistemas digitais mais avançados.
Transição para o digital
Com o avanço da tecnologia eletrônica, os termômetros analógicos foram substituídos por displays digitais. Na primeira metade da década de 80, muitos fabricantes começaram a integrar essas telas em seus veículos, oferecendo informações como a temperatura externa de forma mais moderna e acessível.
O Aston Martin Lagonda foi um dos primeiros carros a apresentar instrumentação digital, mas a tecnologia de tubo de raios catódicos se mostrou cara. A popularização dos displays de cristal líquido (LCD) democratizou a instrumentação digital nos carros, tornando a exibição da temperatura externa um recurso comum em veículos de diferentes faixas de preço.
Atualmente, os sensores que medem a temperatura externa costumam estar localizados no para-choque dianteiro, longe do calor do motor. O termômetro no espelho retrovisor, embora uma relíquia de sua época, ainda é admirado por sua elegância mecânica e simplicidade.
