Ministério Público Eleitoral critica decisão de suspender pesquisa AtlasIntel por Nunes Marques
Ministério Público Eleitoral contesta suspensão de pesquisa de intenção de voto.
O Ministério Público Eleitoral (MPE) manifestou-se contrariamente à suspensão da divulgação de uma pesquisa de intenção de voto para a presidência da República, realizada pela AtlasIntel. A decisão foi tomada pelo ministro Kassio Nunes Marques, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O vice-procurador Alexandre Espinosa destacou que é comum que institutos de pesquisa abordem questões políticas sensíveis e assegurou que não foram identificadas irregularidades nas perguntas aplicadas aos participantes da pesquisa suspensa.
A pesquisa foi realizada em um contexto delicado, logo após a divulgação de gravações envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro, que está sendo investigado por fraude financeira. O levantamento visava avaliar como esses eventos afetariam a intenção de voto dos eleitores.
Espinosa argumentou que a intervenção da Justiça Eleitoral em pesquisas deve ocorrer apenas em casos excepcionais, onde haja evidências claras de que a pesquisa comprometeu a imparcialidade e a equidistância necessárias para um levantamento científico.
A suspensão da pesquisa ocorreu no dia 8 de junho, a pedido do PL, que alegou que a pesquisa induziu os eleitores a determinadas respostas. O ministro Nunes Marques, que preside o TSE, concordou com essa avaliação.
O PL questionou a legitimidade de algumas perguntas da pesquisa, especialmente aquelas relacionadas ao caso do Banco Master, e mencionou que o áudio em que Flávio Bolsonaro solicita fundos para a produção de uma cinebiografia de seu pai foi apresentado aos entrevistados. A pesquisa indicou uma queda de cinco pontos na intenção de voto do senador após a divulgação das conversas.
A AtlasIntel defendeu sua metodologia, afirmando que seguiu critérios rigorosos de imparcialidade e transparência. A empresa também ressaltou que outras pesquisas corroboraram o impacto do caso na intenção de voto, sugerindo que os resultados refletem uma reação genuína da opinião pública.
Com a decisão do ministro, a pesquisa não pode ser divulgada nos canais oficiais da AtlasIntel, nem ser compartilhada ou promovida nas redes sociais. O plenário do TSE iniciou o julgamento sobre a liminar no dia 9 de junho, mas o processo foi interrompido por um pedido de vista da ministra Estela Aranha, e a nova data para a retomada do julgamento ainda não foi definida.
