Atividade física regular pode diminuir risco de depressão na terceira idade

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Estudo revela que atividade física reduz risco de depressão na velhice

Manter-se fisicamente ativo ao longo da vida pode diminuir significativamente o risco de sintomas depressivos em idosos. Essa conclusão é resultado de um estudo internacional que analisou dados de mais de 15.000 pessoas com 50 anos ou mais, acompanhadas por até 12 anos no Reino Unido e nos Estados Unidos.

Os participantes foram selecionados de dois grandes projetos: o Estudo Longitudinal Inglês sobre Envelhecimento (ELSA) e o Estudo sobre Saúde e Aposentadoria (HRS). Ambos os estudos realizam acompanhamento periódico de adultos mais velhos, utilizando questionários semelhantes e avaliações a cada dois anos, permitindo comparações consistentes entre as populações analisadas.

A pesquisa teve como objetivo entender a relação entre a atividade física e a incidência de sintomas depressivos em idosos, utilizando conjuntos de dados comparáveis. O longo período de acompanhamento foi crucial para avaliar como as mudanças no comportamento ao longo do tempo influenciam a saúde mental dos participantes, já que a atividade física é frequentemente medida apenas no início dos estudos.

Os pesquisadores adotaram uma abordagem inovadora chamada emulação de ensaio-alvo, que utiliza ferramentas estatísticas avançadas para simular como seria um ensaio clínico randomizado de longo prazo. Esse método corrige desigualdades que poderiam distorcer os resultados, permitindo uma análise mais precisa dos efeitos da atividade física na saúde mental dos idosos.

Foram avaliados dois cenários principais: a prática de atividade física moderada ou vigorosa pelo menos duas vezes por semana, ou a realização de ao menos um dia de atividade física vigorosa na semana. Os resultados indicaram uma redução consistente no risco de desenvolver sintomas depressivos em ambos os grupos.

Nos Estados Unidos, a atividade física moderada duas vezes por semana associou-se a uma redução de cerca de 12% no risco de sintomas depressivos, enquanto no Reino Unido a queda foi de aproximadamente 13%. Já o cenário que incluía pelo menos um dia de atividade física vigorosa reduziu o risco em 13% nos EUA e 16% no Reino Unido.

Os resultados demonstram que a prática de atividade física moderada é tão benéfica quanto a atividade vigorosa para a saúde mental dos idosos. Atividades simples, como caminhar ou cuidar do jardim, são consideradas acessíveis e já se enquadram na categoria de atividade física moderada.

A pesquisa também sugere que doses menores de atividade física do que as recomendadas tradicionalmente podem ser suficientes para melhorar a saúde mental. A Organização Mundial da Saúde recomenda 150 minutos de atividade moderada a intensa por semana, mas o estudo indica que mesmo pequenas quantidades de atividade já estão associadas a uma redução significativa dos sintomas depressivos.

A depressão é um problema de saúde pública que afeta milhões de pessoas em todo o mundo, e entre os idosos, sua prevalência está em crescimento. Essa condição pode levar a um aumento do risco de mortalidade, piora de doenças crônicas e declínio cognitivo.

Os pesquisadores destacam a importância de investigar estratégias preventivas para o público idoso, que frequentemente enfrenta fatores de risco adicionais, como isolamento social. A atividade física é uma das poucas intervenções que pode beneficiar simultaneamente a saúde mental, física e funcional, com baixo risco e ampla acessibilidade.

Embora o estudo não tenha determinado um tipo específico de exercício como superior, tanto atividades aeróbicas quanto treinamento de força mostraram associação positiva com a saúde mental. Isso permite que as pessoas escolham atividades que gostem e que consigam manter ao longo do tempo.

A adesão à prática da atividade física a longo prazo é um dos maiores desafios. Estratégias que incorporem o movimento à rotina diária e estimulem a interação social são consideradas as mais eficazes. O incentivo à prática de atividade física em grupo pode melhorar a adesão e o humor dos participantes.

Os resultados do estudo podem orientar políticas públicas mais inclusivas, focadas em mudanças sustentáveis e na criação de ambientes que facilitem a atividade física na velhice. Investir em programas e espaços que tornem a prática de atividade física fácil, social e prazerosa pode trazer benefícios significativos para a saúde mental da população idosa.

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