Direita brasileira busca inspiração no modelo Bukele para conquistar eleitores descontentes com a violência
Candidatos de direita no Brasil se inspiram no modelo de segurança de El Salvador para suas campanhas eleitorais.
Candidatos de direita à Presidência da República nas eleições de 2026 estão prometendo importar o “modelo Bukele” de El Salvador, focando na construção de prisões e no endurecimento do combate ao crime. Essa estratégia visa tornar a segurança pública um tema central de suas campanhas.
As propostas revelam a influência de Nayib Bukele, que restringiu direitos civis enquanto reduziu drasticamente os índices de criminalidade, inspirando imitações em toda a América Latina.
Candidatos de direita na Colômbia e no Peru também triunfaram em eleições presidenciais recentemente, pautando suas campanhas no combate ao crime, o que demonstra uma tendência regional.
No Brasil, o senador Flávio Bolsonaro e o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, ambos candidatos à sucessão de Luiz Inácio Lula da Silva, visitaram El Salvador e o mega-presídio Cecot, que abriga 40.000 detentos, buscando conhecer o sistema e obter apoio para medidas mais rigorosas contra o crime.
Flávio, que lidera as pesquisas entre os pré-candidatos de direita, apresentou um plano de segurança pública que inclui a construção de cinco novos presídios de segurança máxima, inspirados no modelo salvadorenho.
“Mais presídios e menos bandidos soltos”, afirmou o senador em um evento público, ecoando o discurso de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que também se destacou por sua postura dura contra o crime.
Flávio e seu irmão, Eduardo Bolsonaro, ex-deputado federal, se reuniram com o ministro da Segurança de Bukele em El Salvador, assim como com Nikolas Ferreira, deputado federal mais votado em 2022.
A admiração pela abordagem de Bukele em segurança pública está se consolidando entre as lideranças conservadoras no Brasil. Zema, por exemplo, elogiou a abordagem “pragmática” de El Salvador, destacando que, enquanto em El Salvador os criminosos ficam presos, no Brasil muitos permanecem soltos.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, também sugeriu que El Salvador oferece lições valiosas, defendendo medidas mais rígidas para conter a criminalidade.
A abordagem de Bukele no combate ao crime combina um estado de emergência prolongado, prisões em massa e policiamento militarizado. Seu governo afirma que essa estratégia resultou em uma queda histórica nos homicídios e na desarticulação das gangues que antes dominavam o país.
No entanto, essa repressão também gerou restrições a direitos constitucionais, à liberdade de imprensa e à independência do Judiciário, resultando em acusações de prisões arbitrárias e tortura. O governo de Bukele nega tais abusos, argumentando que as medidas foram necessárias para combater as gangues.
O apelo político de Bukele é visível em toda a América Latina. A Costa Rica, por exemplo, recebeu Bukele para inaugurar sua própria prisão no estilo Cecot, enquanto a presidente Laura Fernández prometeu uma “guerra pesada contra o crime organizado”.
Na Colômbia, o presidente eleito Abelardo de la Espriella fez campanha propondo a construção de 10 novas mega-prisões, enquanto no Peru, Keiko Fujimori defendeu uma “guerra frontal” contra o crime e um papel mais ativo das Forças Armadas.
O crescente descontentamento com a insegurança tem levado eleitores a apoiar líderes que prometem controle rigoroso. Contudo, especialistas alertam que estratégias de repressão podem acarretar riscos significativos se mal planejadas.
No Brasil, onde o encarceramento em massa não conseguiu conter o crime organizado, a situação é ainda mais complexa. O país possui uma das maiores populações carcerárias do mundo, que cresceu significativamente nas últimas duas décadas, superando sua capacidade.
Especialistas afirmam que implementar um modelo semelhante ao de El Salvador no Brasil seria desafiador, dada a complexidade do cenário de segurança no país.
