Renúncia do chefe de gabinete de Milei é marcada por suspeitas de enriquecimento ilícito
Manuel Adorni renuncia ao cargo de chefe de gabinete sob suspeitas de irregularidades financeiras.
Manuel Adorni, homem de confiança do presidente da Argentina, Javier Milei, renunciou ao cargo de chefe de gabinete no último sábado, após ser alvo de investigações relacionadas a enriquecimento ilícito e ocultação de patrimônio. Sua saída ocorre em meio a crescentes críticas sobre gastos considerados incompatíveis com sua renda.
Adorni ocupava o cargo desde novembro de 2025 e, em uma carta de renúncia, expressou que estava encerrando um capítulo de maneira pacífica e com a consciência tranquila. Ele destacou que essa decisão contrariava pela primeira vez a vontade do presidente desde a sua posse em dezembro de 2023.
Antes de se tornar chefe de gabinete, Adorni atuou como porta-voz do governo e recebeu apoio de Karina Milei, secretária-geral da Presidência e irmã do presidente. No entanto, suas despesas com viagens em família, incluindo passagens em classe executiva para Aruba e um voo particular para o Uruguai, levantaram suspeitas e foram investigadas.
Em resposta às acusações, Adorni defendeu-se afirmando que seu patrimônio foi acumulado antes de sua entrada no governo e que os gastos foram cobertos com recursos próprios. Ele declarou em uma audiência no Congresso que não cometeu nenhum crime e que provaria sua inocência na Justiça.
O presidente Milei, em declarações anteriores, havia afirmado que Adorni continuaria no governo, reiterando que não condenaria uma pessoa inocente. Contudo, em junho, Adorni reconheceu ter mantido valores não declarados, alegando que isso é comum entre os argentinos. Ele retificou suas declarações de imposto para incluir cerca de US$ 500 mil não reportados.
Nos últimos tempos, o governo de Milei tem enfrentado um aumento nas críticas devido a suspeitas de corrupção, em um contexto de queda do poder de compra dos cidadãos, exacerbada pela inflação. Uma pesquisa recente indicou que a aprovação do presidente caiu significativamente, passando de 53% para 39% em apenas um ano.
