Expectativa de encontrar sobreviventes dos terremotos na Venezuela diminui
Frustração e desespero marcam a resposta a terremotos devastadores na Venezuela.
A esperança de encontrar sobreviventes diminui na Venezuela, onde a frustração com a resposta do governo cresce após dois terremotos que deixaram mais de 1.450 mortos e dezenas de milhares de desaparecidos.
A região de La Guaira, a 40 km de Caracas, apresenta um cenário desolador, com prédios desmoronados e escombros por toda parte, assemelhando-se a uma zona de guerra.
Imagens aéreas mostram colunas de fumaça sobre os destroços, revelando bairros inteiros que foram completamente destruídos.
Os terremotos, que ocorreram na quarta-feira às 18h06 locais, provocaram o colapso de quase 800 edifícios, sendo 189 deles totalmente destruídos, em um país já afetado por uma grave crise política e econômica.
Com magnitudes de 7,2 e 7,5, os tremores estão entre os mais intensos já registrados na América Latina, e a janela crítica de 72 horas para resgatar sobreviventes encerrou, levando os especialistas a se prepararem para a recuperação de corpos.
Eduardo Cardozo, um trabalhador rural, expressou a esperança que ainda persiste entre os voluntários que buscam resgatar pessoas em Tucacas, a quase 200 km de Caracas.
Luis Salas, um voluntário de 27 anos, compartilhou a dor de encontrar vítimas sem vida durante os esforços de resgate, mesmo quando havia esperança de encontrar sobreviventes.
Apesar da tragédia, uma luz de esperança surgiu com o resgate de um homem e seu filho adolescente em La Guaira.
Socorristas de 24 países estão trabalhando incessantemente, enquanto aeronaves americanas sobrevoam a área, mas a população expressa revolta pela ajuda governamental considerada insuficiente e lenta.
Dayana Lean, uma residente de 51 anos, relatou que a comunidade tem se mobilizado para ajudar uns aos outros, confiando em Deus para a superação da crise.
Yelit Contreras, de 28 anos, destacou a escassez de abrigos para os desabrigados, que agora enfrentam a falta de apoio adequado.
‘Sabemos que estão mortos’
Héctor Aguilera, de 60 anos, lamentou a perda de quatro familiares sob os escombros e a falta de apoio para a recuperação dos corpos, revelando a dor de esperar por uma resposta das autoridades.
O balanço oficial indica 1.450 mortos e 3.150 feridos, enquanto as Nações Unidas estimam que mais de 50 mil pessoas estão desaparecidas.
‘Permissão para salvar vidas’
La Guaira já havia sido devastada em 1999 por deslizamentos de terra, e as imagens aéreas atuais revelam um novo nível de destruição, com prédios reduzidos a escombros.
O presidente da Assembleia Nacional informou que 189 edifícios colapsaram e 774 foram afetados. A ONU estima que quase sete milhões de pessoas podem ser impactadas, com danos materiais que chegam a 6,7 bilhões de dólares.
O governo impôs restrições à entrada de socorristas e voluntários, exigindo permissões para acessar a área afetada, o que gerou descontentamento entre os que tentam ajudar.
Além disso, a cobertura da imprensa internacional está sendo controlada, com jornalistas sendo levados a áreas específicas para evitar a propagação de epidemias.
Enquanto as ofertas de ajuda aumentam, relatos de saques e roubos em La Guaira se tornam frequentes, com moradores reclamando da inação do governo.
O aeroporto internacional de Caracas reabriu parcialmente, recebendo voos de carga com ajuda humanitária dos Estados Unidos, que também enviou aeronaves para auxiliar nas operações de resgate.
A crise econômica na Venezuela já havia prejudicado os serviços de saúde e infraestrutura, levando milhões de cidadãos a deixar o país nos últimos anos.
A líder da oposição, María Corina Machado, anunciou que retornará à Venezuela em breve, afirmando ser seu dever estar ao lado do povo neste momento crítico.
