Tarifa de Trump: café, mel e pescado tentam evitar novas taxas
Brasil busca reverter novas tarifas propostas pelos EUA para produtos do agronegócio.
Três setores do agronegócio brasileiro estão em Washington para tentar reverter a nova rodada de tarifas propostas pelos EUA contra produtos brasileiros, em uma audiência pública programada para esta segunda-feira.
As empresas e associações que representam a exportação de café solúvel, pescados e mel participam da ofensiva, mesmo não sendo os principais produtos vendidos aos Estados Unidos. Essa estratégia visa ampliar o poder de negociação em outras frentes.
“Sabemos que tudo isso faz parte de uma negociação mais ampla. Os Estados Unidos buscam um acordo em temas como minerais críticos, terras raras, PIX, big techs e outros assuntos”, avaliou um especialista do setor.
Durante o mês de junho, diversas empresas e associações se reuniram para defender o Brasil contra as novas sobretaxas. A seguir, estão os principais pontos de defesa de cada setor.
- 🍯 Mel vai mostrar que os EUA não têm como substituir o Brasil
- ☕ Café solúvel mira impacto sobre preços e empregos
- 🐟 Pescados destacam sustentabilidade e segurança alimentar
Mel vai mostrar que os EUA não têm como substituir o Brasil
O setor de mel será defendido por importadores americanos e brasileiros, incluindo a Associação Brasileira de Exportadores de Mel e empresas especializadas na promoção do produto no exterior.
A defesa destacará que o Brasil é o maior fornecedor de mel para os EUA, com cerca de 83% do mel orgânico importado sendo brasileiro. Em relação ao mel convencional, 75% das importações americanas também têm origem no Brasil.
Outro ponto crucial será a dificuldade dos EUA em substituir o mel brasileiro, já que a conversão de produção convencional para orgânica exige um ano de transição. Isso significa que a demanda não pode ser atendida rapidamente por outros países.
A diretora de uma das empresas envolvidas no processo de lobby nos EUA destacou a falta de conhecimento do governo americano sobre a importância do mel brasileiro no mercado. “Não adianta simplesmente ser o maior fornecedor, você tem que realmente propagar”, comentou.
“Vamos crer que a gente vai conseguir essa isenção. Mas se a gente não conseguir, vamos continuar nosso trabalho de lobby com os formadores de opinião em Washington”, concluiu.
Café solúvel mira impacto sobre preços e empregos
O café solúvel é o único tipo de café que não foi incluído nas isenções do tarifaço. O setor será defendido pela Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel, com apoio de consultores especializados.
Os principais argumentos incluem a dependência do café solúvel brasileiro, já que os EUA produzem apenas 6% do que consomem, e o impacto potencial das tarifas sobre a inflação americana. Sem uma produção interna robusta, os preços do café solúvel devem aumentar.
Um fato curioso é que o café solúvel aromatizado recebeu isenções, enquanto a versão tradicional não. Isso levanta questões sobre possíveis falhas na classificação dos produtos.
Além disso, a Abics sugere que os EUA possam estar tentando reindustrializar o setor, mas mesmo assim precisariam continuar importando a matéria-prima, já que a instalação de uma indústria desse tipo leva anos.
Pescados destacam sustentabilidade e segurança alimentar
As novas taxas podem impactar o setor de pescados com tarifas de até 37,5% nos Estados Unidos. A defesa do setor será baseada em argumentos utilizados anteriormente, quando enfrentaram tarifas de 50%.
- Brasil não concorre com os EUA: a tilápia é um exemplo, já que os EUA dependem de importações para abastecer o mercado.
- Fornecedor estratégico: o Brasil é visto como um fornecedor de segurança, especialmente em relação à dependência dos EUA da China.
- Padrões sanitários e ambientais: a defesa destacará que a produção brasileira segue normas rigorosas, evitando trabalho infantil e condições inadequadas.
- Produção de baixo impacto ambiental: a
