Brasil busca apoio nos EUA para contestar tarifas de Trump; entenda os argumentos da indústria e do agronegócio
Brasileiros buscam barrar tarifas de Trump em audiência nos EUA
Representantes do Brasil estão se preparando para audiências nos Estados Unidos, com o objetivo de contestar a imposição de tarifas que podem afetar severamente as exportações brasileiras. Este processo é regido pela Seção 301 da legislação comercial americana, que permite a apresentação de argumentos por parte de empresas e associações antes da decisão final.
Entre os participantes estão representantes da indústria e do agronegócio, que pretendem demonstrar que as tarifas não apenas prejudicariam os exportadores brasileiros, mas também impactariam negativamente empresas e consumidores americanos. A Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e outras associações setoriais farão parte dessa mobilização.
A estratégia da indústria é evidenciar a forte interdependência econômica entre Brasil e Estados Unidos, argumentando que a tarifa elevaria custos para empresas americanas. A Fiesp argumentará que a tarifa de 25% carece de justificativa técnica e econômica, podendo afetar setores de maior valor agregado, como máquinas, equipamentos e alimentos industrializados.
Estimativas indicam que, caso a tarifa seja implementada, 31,6% das exportações brasileiras para os EUA poderiam enfrentar tarifas totais de 37,5%. Além disso, 35,2% da pauta exportadora brasileira estaria sob nova sobretaxa, somando-se às tarifas já existentes, que poderiam afetar 54,1% das exportações.
Durante as audiências, os representantes brasileiros também planejam rebater as alegações do governo americano sobre propriedade intelectual, tarifas de importação, desmatamento e a relação comercial bilateral, defendendo uma maior cooperação em vez de novas barreiras comerciais.
A defesa da indústria brasileira
O presidente do Conselho Superior de Comércio Exterior da Fiesp, Roberto Azevêdo, enfatiza que as acusações feitas pelo USTR não se sustentam. Ele afirma que a prática comercial brasileira é justa e não prejudica os interesses americanos.
“A prática brasileira não é discriminatória, não é desleal nem ilegal do ponto de vista das regras internacionais do comércio”, diz Azevêdo.
Azevêdo também destaca que a tarifa proposta não resolveria as questões levantadas pelo USTR, mas sim aumentaria os custos para ambos os países, elevando os preços para os consumidores.
O Brasil, através de seu chanceler, já se manifestou contra as críticas do governo americano, afirmando que estas se referem a questões internas e não comerciais. Azevêdo ressalta a necessidade de articulação política para que a defesa técnica apresentada tenha impacto.
CNI defende diálogo para evitar prejuízos aos dois países
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) também se posicionará contra a tarifa, alegando que não há justificativa jurídica ou econômica para tal medida. A gerente de Comércio e Integração Internacional da CNI, Constanza Negri, afirmou que a relação comercial entre os dois países é complementar e que a sobretaxa elevaria os custos para toda a cadeia produtiva.
“Qualquer medida que encareça ou crie barreiras para essa relação trará prejuízos não apenas para o Brasil, mas também para os Estados Unidos”, alerta.
A CNI expressa preocupação com a incerteza gerada pelas mudanças na política comercial dos EUA, que afeta diretamente o setor privado, que já enfrenta uma queda nas exportações e imprevisibilidade nas tarifas.
A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) também se manifestará, pedindo a exclusão do setor de uma eventual tarifa adicional, destacando a interdependência das cadeias produtivas entre Brasil e EUA.
O agronegócio brasileiro, representado por diversas entidades, participará das audiências, defendendo que a nova tarifa proposta afetaria não apenas os preços ao consumidor, mas também as cadeias produtivas dentro da economia americana.
As entidades do agronegócio argumentam que as tarifas prejudicam uma relação comercial considerada complementar e que os acordos comerciais brasileiros seguem as regras da OMC, não causando prejuízos aos Estados Unidos.
Com essas audiências, o Brasil busca não apenas a defesa de seus interesses, mas também a promoção de um diálogo construtivo que possa fortalecer as relações comerciais entre os dois países.
