BMW encerra operações na Rússia, mas fábrica local segue produzindo veículos com peças remanescentes
Produção clandestina de SUVs da BMW em Kaliningrado gera preocupações sobre qualidade e segurança.
Em 2008, a Avtotor, localizada em Kaliningrado, emergiu como uma das principais montadoras da Rússia, responsável pela montagem de veículos de marcas renomadas como BMW, Chevrolet, Hummer e Kia.
Após a saída da BMW do mercado russo em 2022, em resposta à invasão da Ucrânia, a produção de SUVs da marca continuou de forma não autorizada. Esses veículos estão sendo oferecidos a consumidores russos, que buscam alternativas em meio a um cenário de escassez e altos preços.
Com a interrupção do contrato entre a Avtotor e a BMW, a fábrica decidiu utilizar peças remanescentes para continuar a montagem de modelos como X5, X6 e X7. Os kits utilizados são antigos e, em muitos casos, obsoletos, resultando em veículos que não atendem aos padrões de qualidade da fabricante original.
Relatos indicam que, no ano passado, 145 unidades de BMW “piratas” foram vendidas na Rússia, com datas de fabricação apontando para 2025, mas mantendo o design dos modelos de 2022. A BMW havia introduzido atualizações significativas em sua linha X entre 2022 e 2024, o que levanta questões sobre a autenticidade e segurança desses veículos.
Dados de 2025 revelaram que a BMW recuperou a liderança entre as marcas de automóveis de luxo na Rússia, com muitos motoristas optando por esses modelos não autorizados, que têm preços variando entre 11,9 milhões e 12,9 milhões de rublos (aproximadamente R$ 790 mil a R$ 855 mil) nas versões básicas.
Carros com peças de origem desconhecida
Além dos componentes remanescentes, há indícios de que a Avtotor está adquirindo peças de fornecedores na Ásia Central, China, Oriente Médio e outros países que ainda mantêm relações comerciais com a Rússia. Isso levanta preocupações adicionais sobre a qualidade dos veículos, que não utilizam o software oficial da BMW, permanecendo desconectados dos sistemas da montadora ou com programas modificados.
Quando a BMW tomou conhecimento da situação, emitiu um comunicado enfatizando que não assumiria responsabilidade por esses veículos. A montadora alertou que automóveis montados fora de sua rede de produção não atendem aos rigorosos padrões de qualidade e segurança exigidos, representando potenciais riscos à vida e à saúde de motoristas e passageiros.
Desde a invasão da Ucrânia, sanções econômicas foram impostas à Rússia, levando à saída de diversas montadoras. No entanto, redes de contrabando têm conseguido introduzir veículos de luxo europeus no mercado russo, através de concessionárias e revendedores em outros países.
