Durigan aponta cenário global como responsável pela pressão sobre juros no Brasil
Ministro da Fazenda aponta cenário global como fator de pressão sobre juros no Brasil.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, destacou que a atual situação econômica global tem exercido pressão significativa sobre os juros no Brasil, especialmente em relação ao diferencial de taxas com os Estados Unidos. Em uma entrevista recente, ele enfatizou que essa é, possivelmente, a principal explicação para a alta nas taxas de juros e reconheceu que não existem soluções simples para alterar estruturalmente esse quadro.
Durigan explicou que para promover uma mudança estrutural nos juros, é essencial garantir estabilidade institucional e estabelecer um planejamento fiscal de longo prazo. Além disso, ele relacionou a questão a fatores institucionais e ao ambiente democrático do país.
O ministro sublinhou a necessidade de um reconhecimento claro das eleições e um ambiente político afastado de episódios de violência, como quebra-quebra e bloqueios de rodovias, que podem desestabilizar a confiança necessária para um crescimento econômico sólido. A entrevista foi concedida em um evento na quarta-feira e divulgada ao público no dia seguinte.
Ao abordar o tema do rentismo, Durigan mencionou que o governo está começando a enfrentar esse desafio através do aumento da tributação sobre renda e patrimônio. Ele citou a tributação de dividendos, fundos fechados e investimentos em offshore como exemplos de medidas que visam ajustar a incidência de Imposto de Renda em áreas antes desoneradas.
O ministro também criticou certas análises fiscais que, segundo ele, exageram na defesa de um Estado mínimo. Durigan reforçou seu compromisso com um Estado que funcione de maneira eficiente, que promova a melhoria da qualidade de vida, atue na proteção social e desempenhe um papel ativo na indução do desenvolvimento socioeconômico.
Em sua análise, Durigan reiterou que a pressão sobre os juros no Brasil está intimamente ligada ao cenário internacional. A redução estrutural desse patamar, segundo ele, depende da estabilidade institucional, de um planejamento fiscal sólido e do bom funcionamento das instituições governamentais.
