Flávio comete erro ao comentar tarifas chinesas sobre carne brasileira
Tarifas chinesas sobre carne bovina geram polêmica e confusão nos números
O senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência, fez declarações sobre as novas tarifas impostas pela China sobre a carne bovina brasileira, mas apresentou informações que geraram confusão em relação aos percentuais.
Em uma transmissão ao vivo, ele afirmou que a tarifa total sobre a carne bovina seria de 62%. No entanto, a soma da tarifa adicional de 55% com a alíquota de 12% já existente resulta em uma taxação total de 67% para as exportações que excederem a cota de importação.
Flávio anunciou sua intenção de contatar a Embaixada da China no Brasil para tentar reverter essa medida, que considera prejudicial ao setor exportador brasileiro.
Durante seu discurso, ele enfatizou: “O Brasil acabou de ser tarifado em mais de 55% pela China, além dos 12%. O que exceder a cota de exportação de carnes para a China será tarifado em mais 55%. Então, estamos falando de 62% de tarifação da nossa carne brasileira a partir do momento em que essa cota é estourada”.
Em postagens anteriores em suas redes sociais, o senador já havia mencionado que a tarifa poderia chegar a 67%, o que gerou ainda mais confusão sobre os números apresentados.
Além disso, Flávio relatou que, durante uma viagem aos Estados Unidos, tentou persuadir autoridades americanas a não aumentarem as tarifas sobre produtos brasileiros. Ele atribuiu a responsabilidade pela situação atual ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, afirmando que a questão é resultado de uma “incompetência” do governo.
O Ministério do Comércio da China anunciou no final de 2025 a aplicação de uma tarifa adicional de 55% sobre as importações de carne bovina, medida que entrou em vigor em 1º de janeiro de 2026, afetando também outros grandes exportadores como Argentina, Uruguai e Estados Unidos.
A decisão da China foi baseada em uma investigação que concluiu que o aumento das importações estava prejudicando a indústria de carnes local. A sobretaxa terá validade de três anos.
Paralelamente, Pequim estabeleceu um sistema de cotas isentas da nova tarifa, com o Brasil recebendo a maior cota entre os países exportadores, totalizando 1,1 milhão de toneladas em 2026, quase o dobro da cota destinada à Argentina.
As cotas serão ampliadas progressivamente até 2028. De acordo com as projeções do governo chinês, a sobretaxa de 55% incidirá apenas sobre o volume exportado que ultrapassar esse limite. Dados apontam que o Brasil exportou 1,5 milhão de toneladas de carne bovina para a China até novembro de 2025, o que significa que cerca de 400 mil toneladas estarão sujeitas à tarifa adicional em 2026.
