Aumento do preço do café devido ao temor de super El Niño pode impactar consumidores
Efeitos do El Niño geram apreensão entre produtores de café no Espírito Santo
Os efeitos do super El Niño já estão causando preocupações significativas entre os produtores de café no Espírito Santo, um dos maiores estados produtores do Brasil, especialmente em relação ao café conilon.
O fenômeno climático tem o potencial de impactar negativamente a safra do próximo ano, levando a uma possível redução na produção. As expectativas de baixa oferta já influenciaram as cotações do café nas bolsas internacionais, resultando em aumentos significativos nos preços.
Recentemente, os preços do café conilon na Bolsa de Londres dispararam quase 20% em menos de um mês, enquanto o café arábica na Bolsa de Nova York teve uma alta de 30% no mesmo período. Somente na última segunda-feira, as cotações alcançaram uma das maiores altas da história, com um aumento de até 16% em um único dia.
De acordo com especialistas do setor, a combinação de fatores como o risco de impacto do El Niño, uma safra atual abaixo do esperado e a atuação de fundos financeiros no mercado internacional são responsáveis pela escalada nos preços.
O vice-presidente do Centro do Comércio de Café de Vitória destacou que a intensidade do El Niño pode resultar em uma produção significativamente menor no próximo ano, além de uma safra atual já comprometida, especialmente para o conilon.
O fenômeno climático deve trazer mais chuvas para a Região Sul do Brasil, enquanto as regiões Norte e Nordeste poderão enfrentar estiagem e aumento das temperaturas em todo o território nacional, especialmente entre novembro e janeiro.
A alta dos preços do café, embora benéfica para os produtores, pode não se refletir de maneira positiva para os consumidores. Apesar de uma recente leve redução nos preços nos supermercados, a alta expressiva do café ao longo de 2025, que chegou a 80% em 12 meses, ainda deixa os preços em patamares elevados.
O economista Guilherme Dietze alertou que o cenário de baixa oferta e estoques reduzidos pode pressionar ainda mais os preços, especialmente se o El Niño causar perdas significativas na produção. As consequências dessa situação devem ser mais sentidas no segundo semestre de 2026, à medida que os aumentos nas bolsas internacionais atingirem o varejo.
Enquanto isso, o governo do Espírito Santo está adotando medidas para mitigar os impactos sobre os produtores. O secretário de Estado da Agricultura anunciou que já estão em discussão estratégias com instituições financeiras para oferecer suporte aos agricultores, incluindo prazos de pagamento mais flexíveis e programas de crédito rural.
Essas iniciativas visam garantir que os produtores possam enfrentar os desafios impostos pelo fenômeno climático e minimizar os danos à produção de café no estado.
