Supermercados não ampliam venda de ovos livres de gaiolas apesar de promessas, aponta estudo
Estudo revela lentidão na transição para ovos de galinhas criadas fora de gaiolas no Brasil.
A transição para a venda exclusiva de ovos de galinhas criadas fora de gaiolas avança lentamente no Brasil, conforme aponta um estudo recente. A pesquisa, realizada pela ONG Alianima, revela que a maioria dos supermercados ainda não implementou mudanças significativas nesse sentido.
Desde 2015, diversas empresas do setor alimentício e de hotelaria têm anunciado compromissos públicos para substituir ovos de galinhas criadas em gaiolas por sistemas livres, conhecidos como “cage-free”. Atualmente, mais de 160 empresas brasileiras já assumiram essa responsabilidade.
No entanto, o levantamento indica que 64% das redes de supermercados não aumentaram a oferta de ovos livres de gaiolas ou até mesmo retrocederam. Além disso, 24% das empresas que se comprometeram a implementar a mudança não oferecem informações sobre seu progresso.
Um exemplo é o Carrefour, que, apesar de ter um compromisso público, reduziu a participação de ovos livres em suas prateleiras, passando de 21,4% para 20,2% no último ano. A empresa também foi identificada como a única que não garante a presença de pelo menos uma marca de ovos livres em todas as suas lojas.
Outro caso é o da rede Pague Menos, que também não apresentou evolução em sua oferta de ovos livres. A falta de comunicação por parte das empresas quando questionadas sobre a situação foi notada, com nenhuma resposta recebida até o momento da atualização do estudo.
O que tem dificultado a transição?
As redes de supermercados apontaram diversos desafios para a transição, como a dificuldade de abastecimento nas regiões Norte e Nordeste. Além disso, 67% das empresas relataram que o alto custo dos ovos livres é um obstáculo significativo.
Outros pontos destacados incluem a falta de conhecimento dos consumidores sobre o tema, mencionada por 44% das empresas, e a baixa aceitação do produto, citada por 33%. Apesar disso, 78% afirmaram que a transição gera uma percepção positiva da marca. Por outro lado, 22% relataram a falta de apoio de associações como um desafio adicional.
Por outro lado, 33% das empresas afirmaram não encontrar dificuldades na transição, indicando que há espaço para melhorias e avanços no setor.
Qual a diferença do ‘cage free’?
No sistema tradicional de criação, as galinhas são confinadas em gaiolas assim que começam a botar ovos, muitas vezes compartilhando o espaço com até 11 animais, sem a possibilidade de ciscar ou se mover livremente. Em contrapartida, o sistema “cage free” permite que as aves fiquem soltas durante toda a produção.
Organizações como o Instituto Certified Humane Brasil estabelecem normas rigorosas para a criação de galinhas com foco no bem-estar animal, concedendo certificação às empresas que seguem esses padrões. As regras incluem limites de densidade, com um máximo de 7 a 11 aves por metro quadrado, além de especificações para espaço nos comedouros e poleiros.
É essencial garantir que os animais tenham acesso a água e comida em abundância, promovendo um ambiente mais saudável e ético para a criação de galinhas.
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