Azeite de oliva brasileiro atinge 1,4 milhão de litros e registra crescimento de 496% em um ano
Brasil alcança produção recorde de azeite de oliva na safra de 2026
O Brasil encerrou a safra de 2026 com um marco histórico ao produzir 1,434 milhão de litros de azeite de oliva. Esse resultado representa um crescimento notável de 496,75% em comparação ao ano anterior, que foi impactado por condições climáticas adversas, superando também o recorde de 2023 em 123,98%.
RS ultrapassa 1 milhão de litros
O Rio Grande do Sul destacou-se como o principal produtor, com 1,17 milhão de litros, um aumento de 514,82% em relação a 2025 e um crescimento de 101,64% sobre o recorde anterior de 580 mil litros em 2023. Esta é a primeira vez que o estado ultrapassa a marca de 1 milhão de litros, estabelecendo-se como o centro da olivicultura no país. Atualmente, o estado conta com 31 lagares e aproximadamente 390 produtores, que juntos estruturam uma cadeia produtiva que impulsiona o turismo e a economia local.
Outras regiões produtoras
A Mantiqueira ocupa a segunda posição na produção, com 250 mil litros, seguida por Santa Catarina, que produziu 10 mil litros, Paraná com 2,5 mil litros, e Espírito Santo com 1,5 mil litros. Esses números, ainda que modestos, evidenciam a expansão da olivicultura para além da região Sul, abrindo novas oportunidades agrícolas.
Um olhar no mercado
A vice-presidente do Ibraoliva, Solange Neves, atribui o sucesso à combinação de uma boa safra e ao aprendizado contínuo dos produtores. Segundo ela, “essa conquista é fruto da organização dos produtores e da colaboração entre instituições públicas e o setor privado. Estamos evoluindo no manejo, entendendo melhor as variáveis climáticas e nos esforçando para produzir azeites de qualidade”.
Neves também sublinhou os benefícios sociais e econômicos dessa produção: “Quando uma região se torna um exemplo de produção, isso gera valor para a comunidade, movimenta a economia local e cria oportunidades turísticas”.
O secretário da Agricultura do RS, Marcio Madalena, lembrou que o cultivo de oliveiras começou a se desenvolver há pouco mais de 20 anos: “Tínhamos expectativas abaixo de 1 milhão de litros e não imaginávamos que conseguiríamos superar essa marca. Este avanço coincide com a conquista de medalhas internacionais, que reforçam a qualidade do azeite produzido no Rio Grande do Sul”.
Impactos econômicos e projeções
O recorde alcançado em 2026 não é apenas um marco agrícola, mas também indica uma nova fase para a olivicultura brasileira. O setor já movimenta o turismo gastronômico, gera empregos e atrai investimentos em agroindústrias. A predominância da produção no Rio Grande do Sul consolida o estado como um referencial, ao mesmo tempo que permite a diversificação em outras regiões.
A expectativa é que, com melhorias nas previsões climáticas e avanços tecnológicos, o Brasil possa ultrapassar 2 milhões de litros até 2028, aumentando sua participação no mercado interno e possibilitando exportações. O reconhecimento internacional, evidenciado pelas medalhas recebidas por azeites gaúchos, reforça a competitividade da produção nacional em nichos de mercado premium.
A olivicultura, que antes era considerada uma aposta de nicho, está se firmando como um vetor estratégico no agronegócio brasileiro, ao lado de vinhos e outros produtos de alto valor agregado. O desafio agora é expandir políticas de incentivo, fortalecer a pesquisa e assegurar que o crescimento ocorra com qualidade e sustentabilidade.
