Indústria solicita acesso a fundos constitucionais com juros reduzidos, afirma CNI
94% das empresas buscam crédito por taxas reduzidas, mas enfrentam burocracia e desconhecimento.
Um estudo recente revelou que 94% das indústrias que acessaram os Fundos Constitucionais de Financiamento (FCFs) entre 2022 e 2025 foram atraídas pelas taxas de juros reduzidas. Apesar do apelo financeiro, 40% das empresas ainda não têm conhecimento sobre essa política pública.
Os principais obstáculos para o acesso aos recursos incluem a burocracia e as exigências de garantias, conforme apontado por uma pesquisa realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) em colaboração com o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional.
A pesquisa destaca que os FCFs, que são fundos públicos destinados ao desenvolvimento das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, desafiam a lógica do mercado de crédito tradicional. Diferente dos financiamentos convencionais, onde o custo é visto como um empecilho, nos FCFs, as taxas de juros são o principal atrativo.
Além do custo reduzido, 56% das empresas mencionaram os prazos de pagamento e carência como fatores que influenciaram a decisão de contratar o financiamento. Outros 24% destacaram o relacionamento prévio com a instituição financeira como um aspecto positivo.
Especialistas apontam que as taxas de juros são frequentemente um dos maiores entraves para a obtenção de crédito no Brasil. A pesquisa sugere que a política pública tem contribuído para mitigar esse problema, embora ainda haja espaço para melhorar a competitividade das linhas de crédito voltadas à indústria, que frequentemente são mais onerosas do que as disponíveis para o setor rural.
Apesar do interesse nas linhas de crédito, o levantamento identificou dificuldades em diversas etapas do processo de contratação. Quase 38,1% das empresas afirmam desconhecer a existência dos fundos constitucionais. Entre aquelas que conhecem a política, mas não solicitaram financiamento, 38,5% desistiram devido à burocracia ou à lentidão na análise dos pedidos.
Entre as empresas que buscaram crédito, 38% consideraram as garantias exigidas pelos bancos como excessivas, o que representa um desafio significativo para o acesso aos recursos.
Os dados também indicam que os financiamentos são majoritariamente utilizados para investimentos de longo prazo. A compra de máquinas e equipamentos foi o principal destino dos recursos para 56% das empresas, enquanto 22% utilizaram os fundos para modernizar ou expandir fábricas e armazéns. Apenas 18% destinaram o crédito exclusivamente ao capital de giro.
O impacto dos financiamentos foi avaliado positivamente por 88,6% das empresas beneficiadas, com resultados que incluem a modernização da produção, a ampliação da capacidade instalada e a geração de empregos. Apenas 5,4% relataram ter utilizado os recursos para recuperação financeira.
A pesquisa também revela que 52% das empresas conseguiram contratar exatamente o valor necessário. O percentual de indústrias que tentaram obter financiamento e não conseguiram foi de 10%, um número inferior ao registrado em outras modalidades de crédito empresarial.
Em termos de satisfação, 68% dos entrevistados expressaram contentamento com os fundos constitucionais. As taxas de juros (56,3%) e a qualidade do atendimento (40,6%) foram os principais fatores de satisfação. Entre os 24% que relataram insatisfação, metade atribuiu a avaliação negativa ao atendimento e aos prazos de carência.
O levantamento realizado pela CNI em parceria com o MIDR entrevistou 147 empresas industriais entre outubro de 2025 e janeiro de 2026, analisando operações realizadas nos três anos anteriores. A pesquisa faz parte de um acordo de cooperação para aumentar a participação da indústria nos fundos constitucionais.
