Priscillia Choy Sze Mun, especialista em células-tronco, destaca a importância do exercício físico para a limpeza e reequilíbrio muscular
Estudo revela mecanismos que explicam os benefícios do exercício físico em idosos.
Os efeitos positivos do exercício físico em idosos são amplamente reconhecidos, contribuindo para a saúde cardiovascular, aumento da mobilidade e redução de fraturas, entre outros benefícios. Embora seja benéfico em todas as fases da vida, torna-se especialmente crucial à medida que envelhecemos. Recentemente, pesquisadores descobriram as razões subjacentes a esses benefícios, o que pode ajudar a potencializar suas vantagens.
Uma equipe de cientistas da Duke-NUS Medical School, em parceria com a Universidade de Cardiff e o Hospital Geral de Singapura, avançou significativamente na compreensão das vias moleculares que impactam a saúde muscular na terceira idade. O foco do estudo foi identificar os mecanismos que explicam tanto o declínio da saúde muscular quanto os efeitos positivos do exercício físico em idosos.
Vias moleculares sob estresse
A pesquisa baseia-se em estudos anteriores que sugerem a importância da via mTORC1, responsável pela regulação da síntese e degradação de proteínas musculares. Essa via é crucial para manter o equilíbrio entre a produção de novas proteínas e a eliminação das danificadas. Com o envelhecimento, essa regulação se torna deficiente, favorecendo a síntese de novas proteínas e resultando no acúmulo de proteínas danificadas, que causam estresse nas células musculares e perda de força progressiva.
A regulação da via mTORC1 ocorre através da DEAF1. Quando a atividade da DEAF1 aumenta, a expressão dos genes da via mTORC1 também se intensifica, levando ao desequilíbrio em favor da síntese proteica. Experimentos com moscas-das-frutas e camundongos mostraram que a DEAF1 é controlada por proteínas FOXOs, que, com o envelhecimento, têm sua atividade reduzida, liberando a DEAF1 e causando o desequilíbrio na síntese e degradação de proteínas musculares.
Papel do exercício em idosos
Os cientistas descobriram que o exercício físico ativa as proteínas FOXO, ajudando a restaurar o equilíbrio entre a síntese e a degradação de proteínas musculares. Isso resulta em melhorias na massa muscular e nos benefícios associados ao exercício em idosos.
Células-tronco
Além de regular a síntese proteica, o DEAF1 também está ligado à produção de células-tronco musculares, cuja atividade normalmente diminui com a idade. Assim, manter um bom nível de atividade física é essencial, e o exercício em idosos desempenha um papel fundamental nesse processo.
Entretanto, os resultados não são universais. O estudo revelou que o exercício físico pode não ser uma solução eficaz para todos os idosos. Enquanto alguns se beneficiam significativamente, outros podem necessitar de abordagens complementares para melhorar sua saúde. Essa é uma área que requer mais investigação.
Não apenas para idosos
A pesquisa não se limita a idosos, pois os autores acreditam que os achados podem ser aplicáveis a pacientes que perderam massa muscular devido a cirurgias, quedas ou doenças como o câncer. Compreender os mecanismos que afetam a saúde muscular é crucial para todos esses grupos.
Uma das autoras do estudo destacou que “o exercício físico sinaliza aos músculos que precisam se limpar e se reequilibrar”. Embora mais pesquisas sejam necessárias, especialmente para verificar se os mecanismos observados em modelos animais se aplicam aos humanos, os resultados têm o potencial de aprimorar programas de exercícios físicos voltados para idosos. O conhecimento sobre os fundamentos científicos é uma ferramenta poderosa para promover saúde e bem-estar.
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