Check-in dos hotéis é adiado para as 15h após pandemia para acomodar hóspedes que pagam por entrada antecipada
Hotéis lucram com novas políticas de check-in e check-out
Organizar uma viagem pode ser um desafio, especialmente ao lidar com horários de check-in que muitas vezes não coincidem com a chegada dos hóspedes. Com a alta demanda por hospedagem, os hotéis começaram a adotar horários de check-in mais tardios, frequentemente a partir das 15h, o que pode gerar transtornos para quem chega cedo.
Antes da pandemia, os horários de check-in e check-out eram, em sua maioria, às 14h e 12h, respectivamente. No entanto, após a reabertura dos hotéis, muitos estabelecimentos começaram a ajustar esses horários, visando otimizar suas operações. Agora, é comum que o check-in ocorra somente às 15h, enquanto o check-out é exigido até as 11h ou meio-dia.
Essa mudança tem uma justificativa prática: os horários estendidos permitem que as equipes de limpeza tenham tempo adequado para preparar os quartos. As profissionais responsáveis por essa tarefa, conhecidas como “kellys”, confirmam que esse intervalo é necessário, uma vez que cada funcionária pode limpar entre 20 e 30 quartos em um único dia. Apesar da lógica por trás dessa alteração, os hotéis estão aproveitando a situação para aumentar sua receita.
“Early check-in” e “late check-out”
Embora não admitam abertamente, várias redes hoteleiras reconhecem que a introdução de opções de “early check-in” e “late check-out” representa uma nova fonte de receita. Essas opções permitem que os hóspedes ingressem uma ou duas horas antes e saiam uma ou duas horas depois do horário padrão, mediante pagamento adicional, o que gera um novo fluxo de receitas que antes não existia.
Algumas redes oferecem essas facilidades como um benefício exclusivo para os membros de seus programas de fidelidade. Por exemplo, a Marriott permite que clientes do programa Gold Elite realizem o check-out duas horas mais tarde, desde que tenham completado um mínimo de 25 noites por ano. Já os participantes do programa Platinum Elite devem ter 50 noites anuais. Redes como Hyatt, Hotusa e Meliá seguem o mesmo padrão, onde o acesso a horários flexíveis é visto como um privilégio para clientes fiéis, e não um direito para todos os hóspedes.
Os programas de pontos das redes hoteleiras funcionam em uma lógica que pode ser considerada preocupante: quanto mais você se concentra em uma única marca, mais benefícios você recebe, que antes eram considerados padrão. Além de “early check-in” e “late check-out”, os hóspedes fiéis podem obter upgrades de quarto, cafés da manhã gratuitos, acesso a salas executivas e serviços adicionais. O que antes era uma cortesia, agora é uma recompensa pela lealdade, que, por sua vez, pode limitar a liberdade de escolha do cliente.
As redes hoteleiras concordam que essas mudanças visam aprimorar a experiência dos hóspedes frequentes e otimizar a gestão dos recursos. No entanto, o que não é mencionado é que esse modelo favorece claramente os clientes regulares em detrimento dos viajantes ocasionais.
Os turistas que viajam apenas algumas semanas por ano e fazem reservas por meio de agências tradicionais enfrentam desvantagens significativas. Eles pagam tarifas mais altas, não acumulam pontos para benefícios e podem ser forçados a esperar longas horas no saguão ou a pagar taxas extras para um check-in antecipado.
